Ao começar a ler o texto de Zaqueu (Lc 19, 1-10), a primeira coisa que me vem à mente é o «etiqueta». Muitas vezes -senão sempre- quando conhecemos um pouco uma pessoa, tendemos a etiquetá-la com diferentes qualidades: epiléptica, retardada, generosa, egoísta, preguiçosa… E esses rótulos, em geral, ficam por toda a vida. Achamos que o «cobrador de impostos», o egoísta, nunca vai mudar. É verdade que se você olhar a vida de políticos corruptos… seria difícil para nós ver sinais de conversão, mas… eu não tenho nada de Zaqueu? Às vezes não tenho pensamentos e/ou ações egoístas? Não quero por vezes apoderar-me de certas riquezas, que nem sempre têm de ser materiais (dons, aptidões …)?

Mas Zaqueu tem outra qualidade que é positiva. Ele fez tudo o que tem ao seu alcance para ver Jesus e vê-lo da melhor maneira possível. Ele era baixo, mas subiu na figueira. E o próprio Jesus se «convidou» a ir à casa de Zaqueu. Veria ele nesse esforço de escalar a figueira, uma atitude de «conversão», de disponibilidade para mudar? Não sei. A verdade é que sim. Jesus acolheu Zaqueu em sua «família» e Zaqueu acolheu Jesus em sua casa.
Aquela parte positiva de fazer tudo o que está à meu alcance, de reconhecer minhas falhas, minhas fraquezas e ao mesmo tempo, de não me cansar de subir na figueira -por exemplo com a oração-, para ver mais claramente o convite que me faz cada dia: «desce depressa, porque hoje preciso ficar em sua casa».
