
«Há um próximo, imagem e templo de Deus: adore-o, sirva-o, respeite-o, seja paciente com ele.»
(Beata Maria Laura, Filha da Cruz)

«Há um próximo, imagem e templo de Deus: adore-o, sirva-o, respeite-o, seja paciente com ele.»
(Beata Maria Laura, Filha da Cruz)

No sexto domingo da Páscoa, não há diálogo; somente Jesus nos fala. E o faz com aquele amor insistente por ele, querendo compartilhá-lo conosco, porque o verdadeiro amor não é «obedecido», mas vem de dentro, de senti-lo, de vivê-lo. O amor não é imposto, mas é sentido. Esse sentimento molda nossa atitude para conosco e para com os outros.
Tanto no início quanto no fim, ele nos fala sobre esse tema, e no meio, nos acalma lembrando-nos de que não nos deixará órfãos, não estaremos sozinhos, porque ele nos deixa o Espírito da verdade. Ele segui vivo!
Como ele compreende o nosso medo! Nossos momentos de fraqueza, de fragilidade, de desolação…!
Obrigada, Senhor, por querer compartilhar o teu amor e a tua força conosco; por permanecer conosco através da presença do Espírito que nos acompanha, nos inspira e nos encoraja a cada dia.

Uma das passagens do Evangelho de hoje é: «Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor», (João 15:9).
Às vezes, sou tentada a dizer que já conhecemos essa passagem, pois até a repetimos muitas vezes em canções. Mas… será que a vivemos?
Infelizmente, as notícias que ouvimos falam de violência extrema, como a guerra. Isso me leva a um sentimento de tristeza e impotência, incapaz de fazer qualquer coisa para impedir esse sofrimento sem sentido.
Isso me leva à conclusão de que não é errado lembrar essas passagens, não apenas memorizá-las, mas vivê-las com as pessoas ao meu redor.
É verdade que isso não resolverá muitas dessas situações, mas transmitirá o oposto, pois onde o verdadeiro amor é vivido, não há violência.
Obrigada, Senhor, por insistir em nos lembrar o seu Evangelho do Amor.

«As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais se perderão. Ninguém vai arrancá-las de minha mão.»
(Jo 10,27-28)
Como pode um homem nascer, se já é velho? (Jo 3, 4) E eu acrescentaria automaticamente: será que isso é possível em certa idade?…

Após refletir, percebo que existem momentos que, devido a diferentes circunstâncias, nos ajudam e motivam a renascer, apesar da idade. E é algo que estou vivenciando agora.
Um renascimento que me faz reler a história com sinceridade e misericórdia, conduzindo-me a uma relação mais compassiva com os outros e comigo mesmo.
Isso me leva a uma reorientação, convidando-me a mudar a forma como vivencio os acontecimentos e, às vezes, a uma mudança nos compromissos ou nas ações diárias.
Convida-me também a redescobrir aquele primeiro chamado de Jesus, a respondê-lo aqui e agora, o que me faz examinar como posso responder a Ele, dadas as minhas possibilidades e limitações atuais.
Que este tempo de inquietação e serenidade me ajude a renovar-me em mente e espírito.

Hoje, as palavras ressoam: «Não tenhais medo! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui! Ressuscitou, como havia dito», (Mt 28,5-6).
E o que mais me toca, o que sinto que devo — e quero — viver a cada dia, é a resposta a: «Não tenhais medo. Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão» (Mt 28,10).
Não tenho medo, Senhor. Sei que o tu estás comigo para cumprir esta missão, impulsionada pela paz e alegria que me dás, e pela tua ajuda e presença constante nos momentos difíceis.

«Vós me chamais “Mestre” e “Senhor”, e dizeis bem, pois eu o sou.
Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros».
(Jo 13,13-14)
Isso deixa claro que, para Jesus, autoridade é serviço.
Seguir Jesus me impele a servir? A servir agora, de qualquer maneira que eu possa? De que maneira, como, quando e onde eu sirvo neste momento, nesta fase da minha vida?
«Deixa-a; ela guardou isto para o dia da minha sepultura.
Pobres sempre tereis convosco; a mim, porém, nem sempre tereis.»
(Jo 12, 7-8)

É verdade. Neste momento, não está Ele físicamente para que possamos perfumar. E, no entanto, ainda temos os pobres. Os pobres não são definidos apenas pela privação material — comida, abrigo, trabalho digno — mas também pela falta de integração na sociedade, pela rejeição devido à raça, doença ou muitos outros motivos.
Agora é a hora de gastar dinheiro, perfume, companhia, tempo… em favor dos pobres.

«Quem é o homem que te disse:
“Toma a tua maca e anda”?»
(Jo 5, 12)
Será que reconheço Jesus cada vez que ele me levanta das minhas quedas causadas por tropeços, fraquezas e cansaço, e me incentiva a caminhar, a seguir o seu caminho, tomando a minha maca, assumindo a minha história?
O Evangelho do cego de nascença me ajuda a compreender as diferentes etapas de crescimento da fé de uma pessoa.
Sinto uma forte conexão com o momento em que Jesus coloca lama nos olhos do homem e lhe diz: «Vai lavar-te no tanque de Siloé» (que significa Enviado). Não me lembro de ter ouvido essas palavras exatas, mas me lembro do processo. Do fato de ele ter cruzado meu caminho — sem que eu o procurasse — e não ter me dado tudo de bandeja. Minha cura, minha integração na sociedade, dependem das pessoas ao meu redor e de eu também fazer algo para alcançá-la, de eu também tomar uma atitude.

Com o passar do tempo, as pessoas -e eu mesma- começamos a questionar quem Jesus realmente era. Ao longo do tempo, essa resposta teórica evoluiu para uma experiência consciente de fé crescente, paz, alegria e esperança… até que o encontro chegou, a experiência que chama, que impulsiona, que me leva a adorá-Lo e reconhecê-Lo apesar das palavras que outros possam dizer, neste ambiente onde a fé é quase vivida em segredo.
Por isso, há algum tempo, respondi — e respondo todos os dias — «Eu creio, Senhor».
Obrigada, Senhor: pelos encontros contigo; pela fé que confirma a tua presença, mesmo quando nem sempre a sinto; pela confiança que depositas em mim todos os dias; por seres o meu guia a cada dia…
Espaço da comunidade FEBIC da América Latina e do Caribe