Frase para orar, Reflexão

Perder a vida

As imagens do dilúvio e da chuva de fogo e enxofre, algumas pessoas vêem como um castigo. Na verdade, eu as vejo como destruição, mas não como consequência do castigo.

A clave está em: «Quem procura ganhar a sua vida, vai perdê-la; e quem a perde, vai conservá-la.» (Lc 17, 33).

Se minha vida for centrada em mim mesma, se eu acabar sendo uma pessoa excessivamente egocêntrica, vou acabar vivendo todos os dias com uma obsessão egoísta, que me isola das pessoas, sempre vou me sentir insatisfeito… ninguém vai me castigar, mas eu vou me destruir. Querendo salvar a vida, vou perdê-la.

Por outro lado, se eu compartilhar minhas habilidades, meu tempo, meu carinho… se eu escutar as pessoas, se eu quiser continuar aprendendo com elas, se minha atitude for aberta… eu vou sentir confiança, amor que se multiplica , felicidade, satisfação. Vou continuar a crescer como pessoa. Perdendo minha vida pelos outros, eu a recuperarei.

Pessoas que morreram no dilúvio e na chuva de fogo e enxofre estavam «mortas» em sua vida sem sentido, na busca egocêntrica de um prazer – com seu amplo significado – que nunca é totalmente satisfatório. Essas pessoas eram pessoas fisicamente vivas, mas mortas por dentro.

Senhor, eu desejo perder minha vida…
toda vez que estou ouvindo as pessoas por um longo tempo,
que tem necessidade de falar, de se expressar,
sentir-se acolhido, respeitado, amado,
de contar tristezas e alegrias, angústias e esperanças…
e em alguns casos, de matar sua solidão.

Eu desejo perder minha vida…
estando com pessoas doentes e saudáveis,
com deficiência, quimicamente dependente,
do meu país e estrangeiro…
marginalizados, humilhados sem sentido,
pois, não há nada que justifique esse trato com os outros.

Eu desejo perder minha vida…
compartilhando as capacidades que você me deu,
não usá-los apenas para seu próprio benefício,
mas também para o benefício do povo
que por diferentes razões, cruzou na minha vida.

Eu desejo perder minha vida
contagiando teu amor para os outros.

Frase para orar, Reflexão

Entre vós

Os fariseus perguntaram a Jesus quando viria o Reino de Deus e Jesus lhes disse: «o Reino de Deus está entre vós» (Lc 17, 21). «Está», isto é, tempo presente; não vai chegar, mas já chegou e ficou conosco.

Outra coisa é que, sem pensar que é algo espetacular – porque pelo menos isso nunca me passou pela cabeça – não temos consciência dessa presença, não sabemos distinguir, sentir. Seria muito mais fácil se pudesse ser sentido com os nossos sentidos, embora às vezes até mesmo assim seja complicado. Por exemplo: uma simples fotografia, para algumas pessoas também pode ser a memória de um acontecimento importante, como um casamento.

Mas, voltando ao Reino de Deus, reconheço que não posso vê-lo com os sentidos, mas sim com aquele coração, com aquele sentimento que pode dar grande valor às coisas insignificantes. Estar ciente de que está entre nós, entre mim mesma me faz reconhecê-lo cada vez que vejo – mesmo com todos os meus sentidos – os gestos de amor na minha vida simples, sem nada de extraordinário. Além disso, faz minha vida focar em refleti-lo, portanto, que esse amor não é pontual, mas contínuo.

Como diz a canção de Pablo Martínez:

E se amarmos o Reino de Deus se torna maior.
E se amarmos o Reino em todos os lugares, ele se expandirá.
E se amamos o Reino de Deus, ele já está aqui.

Frase para orar, Reflexão

Gratidão pela verdadeira cura

Depois de ler o texto de Lc 17: 11-19, imagino o momento em que os dez leprosos vão até Jesus e lhe pedem que tenha compaixão deles. Sua resposta, à primeira vista, parece um pouco estranha para mim. Não sei se é correto dizer «frio», por não responder – como em outros momentos – que sua fé os salvou. Suas palavras eram uma ordem, embora, considerando as Leis, eles só pudessem e deveriam fazê-lo se fossem curados.

Na verdade, eles não foram curados instantaneamente, mas enquanto estavam a caminho. Ou seja, ousaram partir, apesar de não estarem «limpos»! Imagino que eles seriam movidos pela fé, pela confiança nessa «cura».

E um deles, o samaritano, o excluído, é aquele que, percebendo que estava curado, antes de chegar aos sacerdotes, volta a Jesus para lhe agradecer. Os outros nove pediram compaixão, mas não agradeceram.

Por que eles não ficaram gratos? Eles apenas tiveram fé e se lembraram dele porque lhes convinha libertar-se da exclusão e depois: «Se eu te vi, não me lembro»? Até que ponto eles viveram e estavam cientes de sua cura?

A verdadeira cura não é apenas física. Podemos estar muito bem fisicamente, mas não sabemos valorizar cada dia; não agradecer o acolhimento, o sorriso, a escuta, o encontro… Às vezes não valorizamos as coisas que vemos como necessárias e elementares, não tendo consciência ou lembrando que nem todos as têm… O reflexo da verdadeira cura do samaritano, é sua reação ao voltar para agradecê-lo, é estar ciente de que algo mudou nele. Para mim, é uma cura em sua totalidade, ou seja, não só física, mas também: em sua vida interior alegre e grata; em sua vida espiritual, tendo reconhecido com sua fé que Jesus o «curou»; em sua vida social, sendo capaz de se reintegrar com os outros.

Ao mesmo tempo, estou ciente de outros tipos de «doenças» que às vezes vivo, sempre que não sinto o fôlego necessário para caminhar no meu dia-a-dia ou às vezes que me isolo. E quando sinto aquele impulso que me encoraja de novo… eu agradeço?… Devo admitir que nem sempre faço isso.

Obrigada, Senhor, pelas vezes que você me ajuda
perceber que momentos em que estou «doente»,
que não estou «limpa» e preciso de Você.

Eu preciso do seu encorajamento
da força que sai de você
e me ajuda a viver cada dia,
espalhando seu amor para os outros.

Obrigada pelas vezes que você me escuta e me alimenta.
Pelos momentos em que você me integra na comunidade,
apesar de ter me isolado eu antes.
E… pelas muitas vezes que,
sem te perguntar, sem te dizer nada,
você tem compaixão de mim
e com sua palavra você me levanta.

Reflexão

O templo

Lembro-me que, há alguns anos, um menino disse que não gostou da reação com que Jesus expulsou do templo os vendedores e cambistas (Jo 2, 14-17), porque lhe parecia violento. Como ele pode fazer um chicote, e expulsar a gente do templo?

A verdade é que essa ferramenta me assusta; só de olhá-la, penso na dor. Mas a verdade é que ele não diz que bateu em alguém com o chicote, mas jogou, espalhou as moedas para os cambistas e jogou as mesas em cima deles. Além disso, tinha a particularidade de não jogar nada em quem vendia pombos, mas apenas dizer-lhes que levassem e não tornassem a casa do Pai em um mercado…

Diante dessa cena, duas palavras me vêm à mente: a humanidade e os pobres.

Humanidade, pela humanidade de Jesus. Ele tinha sentimentos como nós; sentimentos de alegria e tristeza, de coragem e medo, de serenidade e raiva… que para mim são sinais de humanidade. Nesse momento de raiva, quando viu um puro comércio no templo, ele expulsou os vendedores, mas não diz que os machucou mesmo que tivesse a ferramenta para isso. E da sua raiva, da sua humanidade, quis tirar o comércio e devolver o verdadeiro sentido do Templo, o lugar do encontro com Deus, reconhecendo que não é o único lugar, porque está também em cada pessoa, em cada um de nós. Como diz São Paulo: nós somos o Templo de Deus (1 Cor 3, 16).

E aí vem a segunda palavra, a do pobre porque, as pessoas que vendiam as oferendas a gente com dinheiro ou as que trocavam as moedas, ele reagiu de forma mais violenta. Mas aos que vendiam pombas, isto é, aos que vendiam o que os pobres ofereciam a Deus, de acordo com a Lei, ele não jogava nada neles, mas pedia que levassem embora para que não se transformasse em comércio. Para mim é um reflexo da prioridade que dá aos pobres, que também são um reflexo da injustiça, da desigualdade, do egoísmo…

A humanidade de Jesus também se reflete neste gesto em favor dos pobres.

Senhor, obrigada por sua humanidade, por seus sentimentos,
porque me ajuda a me sentir compreendida por você
em situações semelhantes, em situações de raiva.

Obrigada por dar preferência aos pobres,
os necessitados, os proscritos, os humilhados …
aquele que tem sede de justiça.

E obrigada por nos violentar por dentro,
por nos remover para não distorcer
a verdadeira função dos diferentes templos
onde você está presente.

Frase para orar, Reflexão

Aumente nossa fé

Hoje, a minha primeira frase foi: «Aumenta a nossa fé» (Lc 17, 5). Ou seja, tenho fé, mas também tenho dúvidas – como é normal – e gostaria de ter uma fé mais forte, uma fé que me dê segurança, principalmente quando vivo uma situação difícil. Na terça-feira da semana passada comemoramos o Dia de Finados e… quem não duvidou dessa outra fase da vida?

Quando me faço essa mesma pergunta, outra reflexão vem a mim e é que a fé, mesmo que pequena, pode me ajudar nos momentos de dor, incerteza, medo… A fé não evita a situação, mas me ajuda a viver de forma diferente. A dor pela morte de um ente querido também vivo com a esperança de que não tenha acabado aqui. O medo em diferentes situações vivo com o impulso de não me deixar vencer por ele, mesmo que tenha parado em algum momento, pois vivo-o desde o impulso do Espírito que me faz levantar e continuar o caminho que iniciei.

É verdade que nesses momentos difíceis, apesar de saber que a minha pouca fé me ajuda, sinto a necessidade de me associar à oração dos Apóstolos que dizem: Senhor, aumenta a minha fé.

Aumenta-me esta fé em Ti que és Amor; Amor sem limites…
Que você viveu medo, angústia, solidão mas,
que apesar de tudo, você continuou,
você continuou transmitindo o Evangelho do Amor
com todas as suas consequências.

Aumenta-me esta fé para continuar te ouvindo
não só na Palavra, na Eucaristia, nos sacramentos…
mas também nas pessoas:
com as quais eu vivo, com as quais compartilho minha fé,
aquela com quem trabalho, aquela que encontro na rua…

Aumenta-me esta fé para saber viver em paz e esperança
os dias felizes e tristes,
os dias sem problemas e com dificuldades,
na companhia e na solidão.

Senhor, obrigada pela fé que você me deu.

Mensagem do Papa

As pessoas que sofrem de depressão – O Vídeo do Papa

O esgotamento extremo, a depressão e a angústia são algumas das enfermidades mais comuns no mundo hoje. Muitas vezes, «a tristeza, a apatia, o cansaço espiritual acabam dominando a vida das pessoas que estão sobrecarregadas com o ritmo de vida atual.»O que podemos fazer para ajudar aqueles que sofrem desses males? Estar ao seu lado, acompanhá-los e lembrá-los de que «junto com o acompanhamento psicológico essencial, útil e eficaz, as palavras de Jesus também ajudam». Assista ao Vídeo do Papa deste mês e, caso você conheça alguém que esteja passando por alguma dessas situações, compartilhe com ele(a) as palavras do Papa Francisco.

«A sobrecarga de trabalho e o estresse laboral fazem com que muitas pessoas experimentem uma exaustão extrema, um esgotamento mental, emocional, afetivo e físico.

A tristeza, a apatia, o cansaço espiritual acabam dominando a vida das pessoas que estão sobrecarregadas com o ritmo de vida atual.

Procuremos estar perto daqueles que estão esgotados, daqueles que estão desesperados, sem esperança, muitas vezes simplesmente escutando em silêncio , porque não podemos chegar e dizer a uma pessoa: “Não, a vida não é assim. Escuta-me, vou te dar a receita”. Não existe receita.

E, além disso, não esqueçamos que, junto com o imprescindível acompanhamento psicológico, útil e eficaz, as palavras de Jesus também ajudam. Vem-me à mente e ao coração: «Vinde a mim, todos vós que estais cansados e oprimidos, e eu vos darei descanso”.

Rezemos para que as pessoas que sofrem de depressão ou de esgotamento extremo recebam o apoio de todos e recebam uma luz que as abram à vida»

Frase para orar, Reflexão

Os murmúrios

O fato de «respirar» muitas vezes neste mundo, tanto boato e sussurro de certas pessoas, hoje tenho me fixado nos murmúrios dos fariseus e dos doutos e é que, Jesus acolhe os pecadores e come com eles (Lc 15, 2). Também parei no pastor que está procurando a ovelha perdida e na mulher, na moeda perdida. O amor refletido nesses gestos de acolhimento, de inclusão ao comer com eles, de preocupação e por isso a procura… e a carga alegre nos seus ombros quando a encontra.

Então tenho fixado minha oração: nos publicanos e pecadores que vêm a Jesus para ouvi-lo; na ovelha perdida que não «chuta», que não rejeita aquela ajuda, mas se deixa carregar nos ombros do pastor, tranqüila, serena, com alegria por ser novamente acolhida e poder compartilhar sua vida, seu tempo novamente, com as outras ovelhas de seu rebanho…

E aí eu me vejo!

Eu me vejo entre aqueles publicanos e pecadores, aproximando-me de Jesus todos os dias, para ouvi-lo; aproximando-me na oração e na relação com as pessoas ao meu redor, com quem também falo. Eu me vejo naquela ovelha perdida, naquela ovelha que às vezes se desvia do caminho, se perde, se isola da comunidade.

Bem, ser religiosa não significa que faço tudo bem, que estou sempre no caminho certo, que em nenhum momento me despisto e me separo do rebanho…

Obrigada, Senhor, pelas palavras que me dizes todos os dias e que muitas vezes -reconheço que nem sempre- te ouço. Obrigada, também, pelas vezes que me perco e Tu me procuras e me carregas com carinho.

Frase para orar, Reflexão

O fogo

«Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso!» (Lc 12,49) … A verdade que, à primeira vista, é assustadora. Se ele veio para divulgar a Boa Nova, o Evangelho do amor de Deus, como ele poderia dizer que veio para lançar fogo o mundo, não para trazer paz, mas divisão?

É verdade que, se nós aprofundarmos um pouco mais, esse fogo -interior- são as Palavras de Jesus que ressoam em nós, o Espírito que nos move por dentro e, em instantes, se nos deixarmos guiar por Ele, nos transforma.

Muda a nossa maneira de ver a vida, transformando como consequência a maneira de vivê-la. Mas Ele o faz a nós pessoalmente, porque temos a liberdade de nos deixarmos guiar por Ele ou não. Que em uma família pode criar divisão, escolhendo parte dela para segui-lo e outra parte não. Ele não quer dividir-nos, mas transmitir-nos a Boa Nova, sabendo que criará divisão, mas também que muitos sentirão aquela paz e aquela presença dAquele que nos ama a ponto de dar a vida.

Obrigada, Senhor, por arriscar Você a colocar aquele fogo no mundo, aquele Espírito de amor que nos move e pacifica muitas pessoas por dentro.

Frase para orar, Reflexão

Os empregados, os servos, o serviço

«Felizes os empregados que o senhor encontrar acordados quando chegar» (Lc 12,37)… com as lâmpadas acesas e a cintura cingida para ver onde, quando e como devo servir como Jesus o fez.

Reconheço que não posso estar acordada as vinte quatro horas do dia porque, como pessoa que sou, preciso descansar, para continuar servindo.

Para mim, estar acordado – o tempo todo – é mais uma atitude. Se for uma atitude de serviço, a gente sempre vai me encontrar à disposição ou, pelo menos na maioria das vezes, porque tenho que reconhecer algum momento que não entreguei, percebendo também minha imperfeição, como ser humano.

Isso é o oposto de não estar acordada, me encerrando no egocentrismo e servindo apenas em momentos específicos para acalmar minha consciência.

A escolha que fiz em minha vida é «servir a Deus e aos pobres em todas as boas obras». Essa opção, que me leva a uma atitude que tenho que nutrir todos os dias, para que cresça, é e continua a ser algo espontâneo, quase sem pensar.

Ajuda-me, Senhor, a manter-me desperto, a nutrir uma atitude de serviço a Ti e aos pobres, a viver o serviço a partir da espontaneidade.

Frase para orar, Reflexão

A chave da ciência

Existem frases na Bíblia, que devemos modificar um pouco, para «entrar» no texto.

Então será que Deus é Deus somente dos judeus? Não será também dos pagãos? (Rom 3, 29) Trazido aos dias atuais, seria: Deus é somente dos cristãos? Não é também para aqueles que professam outras religiões e mesmo para aqueles que não acreditam?

E é que Deus não estabelece fronteiras. Ele ama todo ser humano sem limites. Outra coisa é que, às vezes, em nome de Deus, tem se impedido entrar no Templo algumas pessoas, foram impedidas de fazer parte do Povo de Deus, por justificações sem sentido.

Isso me leva à frase do Evangelho de Lucas: Ai de vós, mestres da Lei, porque tomastes a chave da ciência. Vós mesmos não entrastes, e ainda impedistes os que queriam entrar (Lc 11,52)

Posso não estar envolvido, vendo apenas como mestres da Lei, pessoas com muita responsabilidade na Igreja. Mas… eu não «tomo a chave da ciência» quando não compartilho minha fé nem a reflito, mas a escondo, às vezes por medo do que eles vão dizer? Não estou bloqueando o seu caminho – não o forço – para entrar ou, pelo menos, para ver desde a porta, a experiência do encontro com Deus, da vida orientada por Ele, da Sua presença?

Senhor, inspira-me a não ficar com a chave da ciência, a saber compartilhar a fé em Ti com as pessoas, em todos os momentos e da maneira certa, levando em consideração quem vai recebê-la.