Frase para orar

Pai e/o mai

Eu os atraí com laços de bondade,
com cordas de amor.
Fazia com eles como quem levanta
até seu rostro uma criança;
para dar-lhes de comer,
eu me abaixava até eles.
O meu coração salta no meu peito,
as minhas entranhas se comovem dentro de mim. (Os 11, 4.8c)

Eu sinto como quando minha mãe ou meu pai «me levantam com seus braços»
e descansando minha cabeça em seus rostos, em suas bochechas,
eu ouço suas palavras.

Esse pai ou mãe es Tu, Senhor.

Tuas palavras cheias de afeto,
e às vezes eles dão mais energia do que o alimento físico.

Palavras e gestos cheios de amor,
que às vezes eu rejeito
e eu me movo para me soltar de teus braços,
para descer e ir longe de Ti…
Isso perturba teu coração,
tuas entranhas se comovem.

Mas depois, eu volto para teus braços.
Eu me deixo levantar novamente,
reconhecendo minha pequenez,
minha fraqueza, minha fragilidade
e sentir a necessidade de teu amor
e da tua Palavra.
Eu descanso minha cabeça em suas bochechas,
para ouvi-te com mais clareza,
estar mais consciente da tua presença no meu dia-a-dia.

Obrigada, Senhor, por teu amor, por tuas entranhas.

Frase para orar, Mensagem do Papa

Tua Paz

«Na casa em que entrardes, dizei primeiro: A paz seja nesta casa.» (Lc 10, 5)

Essa é a chave para ter um verdadeiro encontro com outra pessoa: compartilhar aquela paz… que não se diz com a boca, mas se expressa no olhar.

Aquele olhar natural -não forçado-, com sentimentos -não frio-, com interesse pela pessoa que olha -com empatia-, com atitude de escuta…

Aquele olhar natural que, às vezes, rompe as fronteiras das formas de se expressar – não apenas as linguagens – e, apesar de não se entenderem, busca todos os meios de entender o outro, de se entender.

Aquele olhar natural que quebra as «máscaras protetoras» criadas ao longo do tempo -às vezes, por situações difíceis- e nos liberta de dentro.

Aquele olhar natural que, embora seja difícil mantê-lo por muito tempo face a face, e quase automaticamente, de vez em quando se desvia, sabemos que continua e que é uma forma de trazer a paz para aquela pessoa, para aquela casa.

Esse olhar natural -que vem de dentro-, essa paz… que não tem palavras…

Senhor, desejo que saibamos levar e compartilhar a tua Paz.

Frase para orar

Quantas vezes tu me dizes…!

Quantas vezes tu me dizes:
«Levanta-te, pega a tua cama e vai para a tua casa»!

Toda vez que eu me paraliso
por não me aceitar como sou,
por não aceitar minha «imperfeição»,
minha fragilidade,
minha condição humana…
Sempre que as dificuldades me superam,
e é difícil para mim admitir isso
ou não me deixo ajudar…
Em momentos que
nem eu sei como nomeá-los…
lá tu vais de maneiras muito diferentes
me fazes chegar para mim
teu amor, tua confiança,
tua misericórdia…

Isso me encoraja a me levantar
pegando minha cama,
minha história, meu jeito de ser,
reconhecendo minha fraqueza
minha capacidade,
os gestos de amor compartilhado.

E tu me dizes para ir para casa.
Onde eu tenho que ir?
Qual é a minha casa?
Onde estão os pequeninos e os pobres,
os pobres de hoje
com as diferentes pobrezas…

Quantas vezes me lembras isso, Senhor!
Com a tua ajuda, quero levar para casa a tua Palavra.

Frase para orar

Eu te seguirei

Senhor,
Tu me dizes todos os dias: «segue-me»;
e eu quero te responder, eu quero te seguir.
Mas às vezes, admito que paro.
Cansaço, preguiça, medo…
Tu melhor do que ninguém sabes as razões,
e tu também avisaste que não ia ser fácil.
Apesar de tudo, tu continuas me pedindo para segui-te.

Que eu te siga: não com poder,
mas com serviço;
não grandioso,
mas com a vida cotidiana,
no relacionamento com as pessoas,
com o trabalho de cada dia,
com a acolhida,
com a escuta,
com as ajudas pequenas, mas necessárias.

Como humana que sou,
às vezes eu procuro desculpas
para me livrar de certos compromissos.
Mas com tua paciência infinita
insistes e esperas por mim.

Depois de te seguir por um tempo,
depois de caminhar com a comunidade,
-reconhecendo os dias que estive parada-
ainda tenho uma resposta:
«eu te seguirei para onde quer que fores»,
eu te seguirei com a tua presença, com a tua graça.

Frase para orar, Reflexão

O coração do verdadeiro Pastor

O verdadeiro coração às vezes não vai com a nossa lógica -nem sempre correta- e isso às vezes me acontece com o Evangelho de Lucas.

A primeira reação que eu tive ao ler: «Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la?» Era como me sentir chateada. Procurar o perdido coloca noventa e nove em risco? Eles estão no deserto?

Neste mundo onde os números são tão importantes e, em algumas situações, somos tratadas mais como número do que como pessoa, a reação do pastor nesta parábola não faz sentido. Em vez disso, para Jesus é correto.

Ele vê que essa ovelha precisa dele. Não é que ele despreze os noventa e nove, mas ele sabe que eles estão bem.

Mais tarde, me veio a lembrança do que disse certa vez um religioso que foi pastor quando criança. Acontece que um dia ele adormeceu na montanha com as ovelhas. Quando acordou, as ovelhas não estavam lá e ele foi para casa preocupado pensando que havia perdido todas, mas, na hora, sem avisar ninguém, elas voltaram para casa e lá ele as encontrou.

Voltando ao Evangelho, vejo que a outra ovelha precisa de ajuda. E Jesus, ao encontrá-la, carrega-a nos ombros, alegra-se e partilha a sua alegria. Ela não abandonou as outras, mas sabia que elas voltariam ao seu lugar, a tempo, sem problemas.

Fazer parte da Igreja, da paróquia, da congregação -como também é o meu caso- não significa que não me desvie em algum momento. Reconheço que algumas vezes na minha história fui a ovelha perdida, mas ele cuidou de mim com amor, fazendo todo o possível para voltar onde as outras estavam, para formar aquele rebanho, ouvi-lo e segui-lo. E tenho certeza de que Ele continuará me ajudando sempre que for necessário.

Obrigada, Senhor, por ser um Pastor que chama cada pessoa pelo nome, que não somos um número para você e você se importa de nós sem excluir ninguém. Obrigada pelo grande coração que Tu tens.

Frase para orar, Reflexão

A Eucaristia dentro e fora

O Evangelho, apesar de celebrar o dia de Corpus Christi, não fala do rito da Eucaristia, não é a Última Ceia, mas é uma multiplicação de pães (Lc 9,11b-17). O dia do Corpo de Cristo sem o texto evangélico da Instituição da Eucaristia! E até quebra um pouco aquele«esquema» de que a primeira leitura e o evangelho têm uma relação, um tema comum e a segunda leitura pode ser totalmente diferente. Hoje as duas leituras têm uma certa relação, mas o Evangelho?

Se nos concentrarmos neste Evangelho, ele começa dizendo que falava-lhes sobre o Reino de Deus e curava todos os que precisavam… e eu acrescento ou modifico dizendo que aqueles que sentiam que precisavam dEle foram para onde Jesus estava.

Então os Doze se aproximaram dele para dizer: «Despede a multidão»… Eles viram tanta gente, com pouca comida, sem lugar para alojá-los… E eu me coloquei «naquela pele» e acho que eu reagiria ao mesma maneira. Com o pouco que tinham, como iriam alimentar tanta gente?

O pior vem quando Ele lhes respondeu: «Dai-lhes vós mesmos de comer». Parece-me que eu nem teria coragem de dizer que «Só temos cinco pães e dois peixes»mas teria ficado calada, bloqueada, em branco, sem saber como reagir. Não havia comida e não havia tempo para obtê-la!

Em todo caso, Jesus nos dá a solução: «Mandai o povo sentar-se em grupos de cinquenta»Então Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, elevou os olhos para o céu, abençoou-os, partiu-os e os deu aos discípulos para distribuí-los à multidão.

Primeiro, formaram-se grupos de cerca de cinquenta, ou seja, grupos menores, mais familiares. E depois da bênção, foi quebrado e compartilhado.

É como, por exemplo, quando vamos à Basílica da Aparecida de maneira improvisada e encontramos outras pessoas com a mesma atitude de oração, de peregrinação. Você vê uma pessoa que ficou sem água ao longo do caminho e a compartilha com ela. E ela te compartilha uma outra coisa. E há um encontro, há diálogo, e algo que te uniu, que é a fé, e te motivou a ir até lá.

Neste caso, Jesus os uniu e os motivou a compartilhar o pouco que tinham, mas no final ficaram satisfeitos e até sobrou alguma coisa.

Mas voltando à Eucaristia, voltando ao que celebramos hoje com mais força do que em outros dias. O que esta leitura tem a ver com a instituição da Eucaristia? Que conclusão posso tirar?

Pessoalmente, sinto que viver a Eucaristia, comunhão com o Corpo de Cristo, deve levar-me a responder àquela curta mas empenhada frase de Jesus: «Dai-lhes vós mesmos de comer». A verdadeira Eucaristia não se vive apenas quando a celebramos na capela ou na paróquia, mas também quando saímos e vivemos o que nos compromete à comunhão; quando nos partilhamos e compartilhamos o que temos – mesmo que seja pouco – e o que somos.

Compromete-nos a partilhar – e assim multiplicar – os nossos pães e peixes, o nosso alimento e a nossa escuta, as nossas roupas e o nosso afeto… e assim tornar viva a Eucaristia fora das quatro paredes. Cada pessoa saberá como.

Que o Senhor nos ajude a vivê-la conscientemente e a torná-la vida, onde quer que estejamos.

Reflexão

Onde o «eu te preciso» não envergonha

Eu gosto de música em geral, e alguns estilos de música. Cresci no meio da música clásica, da música popular e daquela que me tocou no meu tempo: pop, rock and roll, rumba… E antes de conhecer a frase «quem canta reza duas vezes», eu já viveu isso.

Levando em conta a música na oração ou na mesma vida cotidiana vivida -no meu caso e de tantas outras pessoas, vivida pela fé- em determinados momentos, especialmente quando por vários motivos me é difícil colocar em palavras o que sinto, ao que vivo, recorro às canções. Outras vezes me identifico com alguma que ouço por acaso, sem ter previsto, mas que eu precisava.

Esses dias estou pensando conscientemente no canto «Declaração de domicílio», composta por Eduardo Meana, mas cantada por Cristobal Fones.

A verdade é que a letra tem diferentes experiências de vida e a estrofe que me passa pela cabeça é:

Eu vivo no lado pobre da vida
onde a simplicidade areja sua casa,
onde o «eu te preciso» não envergonha,
onde o «muito obrigado» nasce da alma…

No meio da minha simplicidade, de querer ser honesta comigo mesma e com os outros, há momentos em que preciso me abrir, sacar o que tenho dentro de mim sem vergonha… sacar sentimentos e intimidades, especialmente quando doer por motivos diferentes. Eu também preciso de alguém para me ouvir e ser meu espelho. A verdade é que «muito obrigada» fica pequeno para expressar gratidão pela grande ajuda que faz.

Sim. Neste momento reconheço e me identifico com esta necessidade e gratidão inseparáveis, deste lado pobre, que também faz parte da vida.

E você, em qual estrofe você se vê mais refletido?

Frase para orar, Reflexão

Medo e envio

Medo e envio. Essas são as duas palavras – quase contraditórias – que me vieram ao ler o Evangelho neste dia de Pentecostes (Jo 20, 19-23).

«Estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam». O medo que muitas vezes paralisa, como aconteceu com eles, e os fez se fechar, não sair. Eu não posso imaginar todos os pensamentos que eles teriam, mas o que eu acho é que para a maioria deles não seria nada agradável. E, às vezes, esse medo chega a travar tanto, de não querer ver nem ouvir, para tentar fugir daquela situação difícil de enfrentar.

Neste momento desagradável, Jesus entrou e pondo-se no meio deles e, sem ter tempo de reagir, disse: «A paz esteja convosco». Aquela paz que dá ânimo, esperança, alegria. Aquela paz que em situações difíceis dá coragem. Aquela paz que nos lembra que não estamos sozinhos, que Ele está presente em nós, no nosso dia a dia com o Espírito.

E o Espírito nos move, nos impulsiona, nos impele a responder a esse envio onde quer que estejamos ou sejamos chamados a ser, a amar, a compartilhar a vida, a ser nós mesmos com sua força.

Isso não significa que não tenhamos medo, mas que o Espírito nos move -se nós permitirmos- apesar do medo; ele nos ajuda a enfrentá-lo.

Obrigado, Senhor, por confiar em nós e nos enviar para espalhar o teu amor – apesar de nossa fragilidade – sempre com a companhia e a ajuda do teu Espírito.

Frase para orar

Guarda-nos em teu nome

Pai, guarda-nos em teu nome
a todos nós que queremos ser fiéis à tua Palavra.

Guarda-nos nesta sociedade da qual fazemos parte, mas,
que às vezes há mais desconfiança, violência, ódio, ressentimento…

Da-nos encorajamento, «sopra-nos»,
especialmente quando estamos cansados, desanimados,
sem forças para seguir teu chamado.

Que a tua Palavra nos encoraje e se faça vida em nós,
mesmo que seja uma parte muito pequena pois,
a pouco que todos nós dêmos,
essa parte cresce e se torna maior.

Pai, obrigado por confiar em cada pessoa;
por nos enviar para compartilhar e dar vida à tua Palavra.