oraçao, Reflexão

DEUS CONOSCO

Durante o Advento, a leitura do Evangelho é frequentemente repetida. Se pararmos para pensar, temos lido esta passagem há poucos dias.

Creio que esta repetição é importante e, para mim, neste momento, trata-se da frase: «Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho,e lhe darão o nome de Emanuel,que quer dizer: Deus conosco» (Mt 1, 23).

Em outras palavras, com esse nome, Deus insiste que Ele está conosco; Ele não nos abandona. O problema é que queremos vê-Lo em Algo ou Alguém sobrenatural, «onipotente», e não sei se se pode sequer dizer: em algo «óbvio», algo que torne a Sua presença evidente. No entanto, Ele se aproxima de nós em uma criança recém-nascida, indefesa, dependente; em alguém tão «comum» que é difícil reconhecê-Lo.

Às vezes, não só durante este período litúrgico, me pergunto onde, quando e como Ele se fez presente para mim em um determinado dia ou evento, pois Ele continua a fazendo parte da minha história, da nossa história.

Obrigada, Senhor, por se aproximar de nós… por estar conosco.

Reflexão

CONVERSÃO

Nesta época preparatória do Advento, mas tendo com o Natal ainda a algumas semanas de distância, esta passagem do Evangelho leva-me pessoalmente à conversão, embora, à primeira vista, pareça mais adequada à Quaresma.

Este tema suscita as seguintes questões: como posso vivenciar a conversão? Em que quero me transformar?

Reconheço que posso expressar tendências que, por vezes, surgem quase automaticamente, mesmo tendo consciência de que não são apropriadas. Este desejo de mudança, à primeira vista, não é mau, mas depois percebo algo: mesmo reconhecendo os meus erros, aceito-os? Ou, com outras palavras: aceito a minha fragilidade humana? Não é que eu não queira vivenciar um momento de conversão por essa razão, mas sim que existem diferentes formas de fazê-lo.

Creio que o primeiro passo é aceitar as minhas falhas específicas e até habituais, porque posso cair na armadilha de querer «converter-me» depois de as ter rejeitado que me fazem sentir um fracasso. Por outro lado, o correto seria não me sentir assim a cada queda, pois sou «humana», ou seja, não sou perfeita, nem jamais serei. O propósito da conversão não pode e não deve ser a perfeição, mas sim o desejo de trilhar o caminho que o Senhor me apresenta, sempre com humildade.

Este caminho é uma forma de suavizar a passagem e me abrir ao Espírito Santo que habita em mim, me chama e me impulsiona a caminhar na misericórdia de Deus.

Obrigada, Senhor, pela presença do teu Espírito Santo que arde em mim e me impulsiona a esta conversão humana, alimentada pela tua misericórdia.

Reflexão

ESTAI VÓS APERCIBIDOS

O primeiro domingo do Advento, francamente, não causa uma primeira impressão agradável. Fala de tantas catástrofes… é assustador. E não podemos negar que muitas delas estão acontecendo de fato ultimamente, com essa mudança ambiental causada por nós, além da violência e das guerras que parecem não ter fim.

Diante desse texto e seu contexto, fico com a última frase: «Por isso, estai vós também apercebidos; porque, à hora em que não pensais, virá o Filho do Homem» (Mt 24, 44). Nessa «vinda inesperada» de Cristo, que eu também veio como algo muito distante que não me afetará, há algo que acontecerá, e isso é a morte. O problema é que é um tema que rejeitamos quase automaticamente, apesar do fato óbvio de que afetará a todos nós.

Quando somos jovens, parece que ainda há tempo antes desse momento; enxergamos a morte como algo distante, mesmo vendo notícias de acidentes com jovens mortos, pessoas com doenças degenerativas, o infame câncer, agora disseminado e incurável…

Não estou dizendo que precisamos pensar constantemente na morte, mas não devemos rejeitá-la. Ao mesmo tempo, podemos vivê-la pela fé, pela esperança que Jesus também nos transmitiu: que a vida não termina aqui e que nosso Pai Misericordioso nos acolherá.

Pessoalmente, não sei se me sentirei preparada quando chegar a hora de dar esse passo. O que eu gostaria é de poder responder como Pedro Casaldáliga: «No final do caminho me dirão: – E tu, viveste? Amaste? E eu, sem dizer nada, abrirei o coração cheio de nomes».

Senhor, ajuda-me a continuar crescendo no amor para que eu possa dar vida ao Evangelho até o meu último dia.

Reflexão

REINADO DE JESUS

«Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo!»
Acima dele havia um letreiro: «Este é o Rei dos Judeus» (Lc 23, 37-38).

Na verdade, ao longo da história houve vários reis que morreram assassinados, mas… crucificados!

O reinado de Jesus é muito diferente. Não gosto particularmente desse termo porque, pelo menos para mim, a minha mente automaticamente pensa na coroa de ouro que reflete a sua riqueza, no poder, em alguém que deve ser servido, que se distancia dos pobres, embora muitas vezes seja ele a causa dessa miséria, que leva à escravidão…

Mas o reinado de Jesus foi o completo oposto. Ele nasceu numa manjedoura… na pobreza (Lc 2, 7). Ele não veio para ser servido, mas para servir (Mc 10, 45). Ele esteve entre os desprezados, com os pobres e os cobradores de impostos (Lc 7, 34), com os doentes e os «pecadores» (Mc 1, 32). A sua vida não foi sobre poder, mas sobre serviço, até ao ponto de morrer do jeito mais doloroso e humilhante, isto é, crucificado (Lc 23, 33).

Como diz a canção «Rei dos Reis» de Salomé Arricibita:
REI DESCALÇO, REI SEM TRONO
REI DOS REIS, REI DE TODOS
SEM HERANÇAS, SEM TESOUROS
LADO A LADO ENTRE NÓS
REI MENDIGO, REI AMIGO
SÓ VESTIDO COM AMOR

Obrigada, Senhor, pelo teu humilde reinado de serviço e dedicação desde a pobreza. E ajuda-me a não me esquecer que: A autoridade é um serviço, como diz o livro Espírito e Vida das Filhas da Cruz.

Irmã Maria Laura, oraçao

EIS-ME AQUI!

Um dia, a Beata Maria Laura escreveu:
«Servir a Cristo é reinar. Eis-me aqui! Eu, Teresina Mainetti, chamada Irmã Maria Laura. Amém. Aleluia.
Toma, Senhor, e recebe toda a minha liberdade, minha memória, meu entendimento e toda a minha vontade…
A alegria do meu serviço a cada instante, segundo a tua Divina Vontade.
Dá-me o teu amor e a tua graça, que isto me basta (Inácio de Loyola)».

Lugar onde ela foi martirizada