Reflexão

ELE NÃO NOS DEIXA ÓRFÃOS

No sexto domingo da Páscoa, não há diálogo; somente Jesus nos fala. E o faz com aquele amor insistente por ele, querendo compartilhá-lo conosco, porque o verdadeiro amor não é «obedecido», mas vem de dentro, de senti-lo, de vivê-lo. O amor não é imposto, mas é sentido. Esse sentimento molda nossa atitude para conosco e para com os outros.

Tanto no início quanto no fim, ele nos fala sobre esse tema, e no meio, nos acalma lembrando-nos de que não nos deixará órfãos, não estaremos sozinhos, porque ele nos deixa o Espírito da verdade. Ele segui vivo!

Como ele compreende o nosso medo! Nossos momentos de fraqueza, de fragilidade, de desolação…!

Obrigada, Senhor, por querer compartilhar o teu amor e a tua força conosco; por permanecer conosco através da presença do Espírito que nos acompanha, nos inspira e nos encoraja a cada dia.

Reflexão

LEMBRANDO O AMOR

Uma das passagens do Evangelho de hoje é: «Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor», (João 15:9).

Às vezes, sou tentada a dizer que já conhecemos essa passagem, pois até a repetimos muitas vezes em canções. Mas… será que a vivemos?

Infelizmente, as notícias que ouvimos falam de violência extrema, como a guerra. Isso me leva a um sentimento de tristeza e impotência, incapaz de fazer qualquer coisa para impedir esse sofrimento sem sentido.

Isso me leva à conclusão de que não é errado lembrar essas passagens, não apenas memorizá-las, mas vivê-las com as pessoas ao meu redor.

É verdade que isso não resolverá muitas dessas situações, mas transmitirá o oposto, pois onde o verdadeiro amor é vivido, não há violência.

Obrigada, Senhor, por insistir em nos lembrar o seu Evangelho do Amor.

Mensagem do Papa

A CIVILIZAÇÃO DO AMOR

Caríssimos, peçamos a graça de uma Quaresma que torne os nossos ouvidos mais atentos a Deus e aos últimos. Peçamos a força dum jejum que também passe pela língua, para que diminuam as palavras ofensivas e aumente o espaço dado à voz do outro. E comprometamo-nos a fazer das nossas comunidades lugares onde o clamor de quem sofre seja acolhido e a escuta abra caminhos de libertação, tornando-nos mais disponíveis e diligentes no contributo para construir a civilização do amor.
(Papa Leão XIV, Quaresma de 2026)

Reflexão

GARANTIA OU AMOR

Posso cair na tentação de acreditar que as pessoas nascidas em uma família cristã ou batizadas já temos feito tudo, «temos ganhado o céu». E, além disso, só pensar no momento após a morte.

Não quero me envolver com a «garantia» desse futuro, mas sim com a forma como vivo o presente. A motivação para a liturgia e os compromissos, é apenas pensar nessa parte após a morte? Ou quero viver a fé em Deus Amor que me alimenta cada dia e me convida a diferentes compromissos para espalhar o amor que recebi?

Se a motivação for essa «garantia», minha fé não é verdadeira e é alimentada pelo medo e pela incerteza. Por outro lado, se for esse Amor de Deus que recebi, que compartilho com Ele, não sinto mais essa preocupação sobre se serei salva. Reconheço também que chegaremos ao banquete do seu Reino do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul, porque o seu amor não conhece limites.

Obrigada, Senhor, por me ensinar a entrar pela porta estreita, vivendo desde dentro a fé que me deste, sem medo, com amor.

Frase para orar, Reflexão

O VERDADEIRO MILAGRE

No texto evangélico do homem rico e Lázaro, desta vez não me concentrei nas diferenças sociais que vemos com tanta frequência em nossa realidade, mas sim na última frase em que Abraão respondeu: «Se não escutam a Moisés nem aos Profetas, eles não acreditarão, ainda que alguém ressuscite dos mortos.»

Então me surgiu a pergunta: qual é o sentido de tanto esforço em transmitir a fé, por meio do catecismo, do trabalho missionário nas ruas, do que é compartilhado pela mídia, se ninguém vai convencê-los?

Sim. Não podemos negar que há pessoas que, por mais que você transmita o Evangelho na linguagem mais adequada para que elas entendam, não se convencerão. Mas, ao mesmo tempo, não acho que seja tempo perdido.

Outra coisa é se sentimos isso, porque não vemos o resultado. Queremos que a Igreja se encha «agora» com as pessoas que catequizamos. E isso não é visível agora. Elas podem ter retido algo, mas não vemos o seu fruto agora. Sentimo-nos fracassados!

O que é verdade — ou pelo menos eu acredito — é que a verdadeira fé se transmite através da rotina da vida, através do testemunho de cada dia, não através de milagres. E isso não é um fracasso! A fé autêntica é vivida em cada momento, em cada segundo, a partir de dentro, da espontaneidade. Não há expectativa de frutos imediatos. Eu simplesmente sou.

E eu sou do Evangelho do Amor que tenho dentro de mim e que me impele a vivê-lo. O verdadeiro milagre hoje é viver com o amor e tudo o que dele deriva, num mundo onde se respira o medo, a desconfiança, a violência…!

Frase para orar

Obrigada, Senhor, pela tua misericórdia

Senhor, eu sei que Tu és amor
e isso te leva à misericórdia.
Eu aprecio isso!

Sei que me amas. O sinto!
Me amas como eu sou,
com meus dons e defeitos,
com minhas habilidades e fragilidades.

Às vezes sou eu quem não me aceito,
e Tu, em a oração, com a tua Palavra,
me alivias e aligeiras meu peso.
Sentir tua misericórdia e perdão,
ser ciente disso,
me ajuda a me perdoar.

Que eu não esqueça o teu Espírito Santo,
que recebi quando fui batizada,
e sempre me acompanha.
Ser consciente de tua presença
me ajuda a viver com outra atitude
os momentos de dificuldade,
e reagir mais vezes -não sempre-
da maneira mais adequada.

O que está sempre lá
é a tua misericórdia, o teu perdão.
E o fato de tê-lo sentido
me ensina e me leva a
ter misericórdia comigo mesmo
e com as pessoas ao meu redor.

O que mais posso te contar…
Obrigada… obrigada, Senhor!

Reflexão

O maior mandamento da Lei

Hoje há uma cadeia de perguntas e um dos fariseus – não sei se com boas ou ruins intenções – pergunta a Jesus qual é o maior mandamento da Lei. A isto Jesus responde. «Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento» (Mt 22,37).

Então me pergunto: como amo o Senhor? Em parte faço isso amando a sua criação, que é o seu reflexo, e nessa criação está o meu próximo, estão as pessoas de outros países e aquelas que tenho ao meu lado, que quando ouço o seu nome as identifico, coloco o rosto deles.

O amor a Deus e o amor ao próximo estão juntos. Como diz Jesus, o segundo mandamento é «semelhante» o primeiro: «Amarás ao teu próximo como a ti mesmo» (Mt 22,39). Isso me leva a questionar como amo meu próximo.

Nesse momento me vem uma lembrança de que antes estávamos fechados no amor ao próximo, esquecendo de nós mesmos. Agora percebemos que o melhor é o equilíbrio: o amor pelos outros e também por mim mesmo, «me preocupar» de mim também. E a forma de não cair no egocentrismo é tratar os outros como gostaria de ser tratado eu; é essa empatia. É esse amor pelo próximo e por mim mesmo que é inseparável um do outro. E no meio desse amor autêntico está o amor consciente ou inconsciente de Deus.

Obrigada, Senhor, por nos ensinar a amar e a fazer uma vida plena com amor.

Reflexão

Onde encontramos o Filho encarnado hoje?

Há alguns dias li um pequeno artigo da Espiritualidade Inaciana, que terminava com algumas perguntas: Como esta ação da Trindade e a atitude de Maria iluminam a nossa fé? Onde encontramos o Filho encarnado hoje? Que colaboração a Trindade me pede para construir um mundo mais humano?

Hoje, muito perto da data do Natal que celebraremos dentro de algumas horas, voltei a interrogá-los.

Na verdade, a primeira resposta que me veio -quase automaticamente- foi: no Merendero Dom Oscar Romero e no Lar Sagrado Coração de Jesus ao referir-se ao local onde hoje encontramos o Filho encarnado.

Jesus nasceu na pobreza e as primeiras pessoas que vieram vê-lo foram os rejeitados. Nestes dois lugares dirigidos pelo Irmão Marcelo e apoiados por muitas pessoas, encontram-se homens rejeitados e muito pobres, e crianças e adolescentes com uma diversidade de pobreza, não só material.

Sim. É lá que eu o vejo nascer, nos dando toda a sua confiança, para que possamos cuidar dele e também alimentá-lo com carinho; para que olhemos para ele, falemos com ele, ouçamos…; estar calmo e poder se encontrar com outras pessoas; sentir e compartilhar amor verdadeiro, amor compassivo.

Maria, desde a humildade e a fé, desde a sua pequenez, tem a certeza de que o Senhor a ajudará a realizar o que lhe foi confiado. Ela não está sozinha, mas está com José e tenho a certeza que em vários momentos da sua vida, nas suas diversas necessidades, teve pessoas anónimas que a ajudaram, como a humilde família que não conhecemos, mas que lhe deixou o que pouco tinham, o cepo e nele a manjedoura.

O Deus Trino, que nunca nos deixa sozinhos, que é Deus Comunidade, confiou em Maria e agora confia no Irmão Marcelo e em tantas outras pessoas – entre as quais me sinto parte – para construir um mundo mais humano, onde a Boa Nova do Amor tornam-se visível; para torná-lo tangível, como Jesus fez.

Que com o meu pequeno serviço e com o meu ser, além do de tantas outras pessoas, eu possa ver e ajudar a ver de novo, nascer -e renascer- o Amor de Deus em nossos presépios, em nossa pequenez… no menino Jesus que reconhecemos e levamos dentro de nós.