Reflexão

TUA MENSAGEM DE PAZ

«Ah! Se neste dia também tu compreendesses o que conduz à paz!» (Lc 19, 42)

Diante da falta de compreensão e/ou aceitação da mensagem de paz, Jesus chora. Ele conhece as consequências daqueles ambientes onde as responsabilidades não são vistas como serviço, mas como poder; onde a humilhação e a marginalização de certas pessoas podem até ser justificadas…

Aqueles dias desastrosos que ele previu, foram consequência da ausência do amor que pregava. O amor leva à compaixão, à paz, e sua ausência, ao oposto.

Apesar de conhecer as consequências violentas da política vigente e sentir tristeza diante dessa realidade, ele não desistiu e continuou a compartilhar a sua mensagem. Muitas outras pessoas, tanto em tempos de paz quanto de violência, continuaram a transmiti-la.

Agora, quando parece que estamos regredindo em termos humanos, apesar de nossas lágrimas diante da impotência de não poder deter a violência, as guerras que parecem intermináveis, o tráfico de pessoas… podemos continuar a compartilhar a sua mensagem. E, ao mesmo tempo, lembremo-nos, naqueles momentos em que somos dominados pelo desespero diante da realidade, que Jesus nos compreende.

Senhor, concede-nos a graça de que precisamos para continuar compartilhando a tua mensagem de paz.

Reflexão

VERDADEIRA FIDELIDADE

Muitas vezes, quando a leitura do Evangelho do dia tem — ou me parece ter — muito conteúdo e me sinto distraída, concentro-me na frase que me toca mais profundamente, aquela à qual retorno quase automaticamente para relê-la.

No caso de hoje, foi: «Quem é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes; e quem é injusto nas pequenas também é injusto nas grandes.» (Lc 16, 10)

E como é verdade! Meu dia a dia é um reflexo do que experimento interiormente. Se vivo o Evangelho, o amor de Deus me leva a amar o meu próximo, à compaixão, que me impulsiona a vivê-la com as pessoas ao meu redor, sem esperar para participar só das campanhas extraordinárias, como as da Cáritas ou as organizadas em resposta a ajuda urgente após uma catástrofe. Além disso, esses gestos geralmente passam despercebidos pelos outros; não são ostentosos, são sinceros. Essa é a verdadeira fidelidade!

Senhor, ajuda-me a continuar crescendo em fidelidade a ti a cada dia, na vida cotidiana e muitas vezes despercebida, que se esforçam para refletir o teu Evangelho.

Reflexão

O ENCONTRO FINAL

Hoje é o dia em que lembramos liturgicamente os nossos familiares e amigos falecidos, embora em alguns lugares visitemos os cemitérios no Dia de Todos os Santos.

Os discípulos tiveram que sofrer, assim como nós sofremos quando um ente querido morre, e neste caso, crucificado, sofrendo uma morte violenta.

Em meio a essa situação, Jesus diz: «Não se perturbe o vosso coração. Crede em Deus, crede também em mim» (Jo 14, 1).

Nossa fé nele nos dá esperança em meio à dor da separação «física» daquela pessoa que foi tão importante nas nossas vidas e a quem não poderemos mais ver face a face. Jesus nos encoraja a continuar crendo; a viver com a esperança desse reencontro no lugar que ele está preparando para nós, para que onde ele estiver, nós também possamos estar.

Ele nos lembra que já conhecemos o seu caminho, o caminho do amor infinito, trilhado através de nossos passos e quedas, nossas forças e fraquezas… sentindo a bondade e a misericórdia de Deus.

Hoje quero agradecer pelo amor recebido daqueles que partiram e que fizeram parte da nossa história; eles nos ensinaram o que é sentir-se amado e amar; eles tornaram o Evangelho do Amor visível e tangível, consciente e/ou inconscientemente.

Também, Senhor, agradeço-te pela tua bondade, porque a tua misericórdia jamais acaba, mas se renova a cada manhã, e tu nos preparas, pouco a pouco, para o nosso encontro final contigo.

Reflexão

GARANTIA OU AMOR

Posso cair na tentação de acreditar que as pessoas nascidas em uma família cristã ou batizadas já temos feito tudo, «temos ganhado o céu». E, além disso, só pensar no momento após a morte.

Não quero me envolver com a «garantia» desse futuro, mas sim com a forma como vivo o presente. A motivação para a liturgia e os compromissos, é apenas pensar nessa parte após a morte? Ou quero viver a fé em Deus Amor que me alimenta cada dia e me convida a diferentes compromissos para espalhar o amor que recebi?

Se a motivação for essa «garantia», minha fé não é verdadeira e é alimentada pelo medo e pela incerteza. Por outro lado, se for esse Amor de Deus que recebi, que compartilho com Ele, não sinto mais essa preocupação sobre se serei salva. Reconheço também que chegaremos ao banquete do seu Reino do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul, porque o seu amor não conhece limites.

Obrigada, Senhor, por me ensinar a entrar pela porta estreita, vivendo desde dentro a fé que me deste, sem medo, com amor.

Reflexão

ORAÇÃO SINCERA

Agradeço-te, Senhor, por não ser como os outros… e como é bom não querer ser, pois cada pessoa tem a sua singularidade. Em os outros aspectos, não concordo com o fariseu. Nem minhas orações a Deus são comparáveis, nem muito menos por ser — ou acreditar que eu sou — perfeita.

Por essa mesma razão, identifico-me quase automaticamente com o publicano. Mas… sou realmente tão humilde a ponto de expressar esse reconhecimento do meu pecado com as suas palavras e as suas batidas no peito, sem ousar olhar para o céu, isto é, com todo o meu ser?

Saber que, como pessoa, tenho tendências erradas pode, às vezes, me levar a vivê-las com tanta naturalidade que me esqueço de reconhecê-las verdadeiramente. Não estou dizendo que tenho que vivê-las com dor constante, com um fardo. Jesus quer nos ensinar a misericórdia de Deus. Mas posso cair no erro de saber apenas na minha cabeça, como pura teoria, e chegar ao ponto de não reconhecer mais tarde, ao rever o dia: o que fiz, com que atitude, com que intenção…

Dependendo da situação, preciso ser consciente se o que vivenciei foi mais próximo do publicano ou do fariseu.

Senhor, ajuda-me a orar e a viver com sinceridade.

Frase para orar, Reflexão

ORAR SEMPRE

«Jesus contou aos discípulos uma parábola, para mostrar-lhes a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir.» (Lucas 18:1)…

Costumo dizer que o mais difícil em qualquer coisa que fazemos, por mais simples que seja, é a constância. E ele diz para «orar sempre».

Há dias em que, por vários motivos, é mais difícil para mim orar do que encontrar uma desculpa para não fazê-lo. Mas reconheço que é bom orar sempre, mesmo que eu não acredite ou não sinta isso no momento.

Orar nos dias bons, com coragem, com um sorriso sincero no rosto… e nos dias ruins, quando se deseja que eles acabem logo para que você possa recuperar a alegria de cada dia em algum momento.

Orar por… força, impulso, serenidade… e tudo o que ele sabe que preciso sem que eu sequer lhe diga. E orar, agradecer pelo que vivi, pelo que recebi, pelo que senti, o que até me ajuda a ter mais consciência do positivo neste mundo onde a maioria das notícias que circulam são negativas.

Orar, falar quando sinto necessidade de expressar algo, bom ou ruim, com alegria ou tristeza, com certeza ou dúvida… E orar, ouvir a sua Palavra, acontecimentos, frases que me tocam profundamente, que me desafiam, e que sinto que ele pode me falar através deles.

Orar, tentar criar um clima de silêncio não só fora, mas também dentro de mim. Um silêncio que me torne mais consciente da sua presença, do encontro com ele, do tempo passado com Aquele que dá sentido à minha vida. E orar também com o ruído, não só externo, mas também interno, que é o que mais me incomoda e me dificulta ouvi-lo. Esse ruído interior, esses pensamentos constantes por vários motivos que me distraem da oração.

Obrigada, Senhor, por me motivar a orar, pois essa oração diária é o alimento da fé que me tens dado.

Reflexão

A VERDADEIRA CURA

Para que Jesus cure, depende não apenas da sua compaixão, mas também da confiança e da fé das pessoas que lhe pedem.

No caso dos dez leprosos, eles não foram curados instantaneamente, mas enquanto estavam a caminho. Em outras palavras, eles ousaram partir, como Jesus lhes disse, mesmo não estando «limpos»! Imagino que tenham sido movidos pela fé, pela confiança naquela «sanação».

Um deles, o samaritano, o excluído, é aquele que, ao perceber que estava curado, antes de chegar aos sacerdotes, retorna a Jesus para lhe agradecer. Os outros nove pediram-lhe compaixão, mas não agradeceram.

Por que não foram gratos? Teriam fé e se lembrado dele apenas porque lhes convinha libertar-se da exclusão? Até que ponto viveram e permaneceram conscientes de sua cura?

A isso devemos acrescentar que a verdadeira cura não é apenas física, mas na sua totalidade: em sua vida interior alegre e grata; na sua vida espiritual, tendo reconhecido pela fé que Jesus o «curou»; na sua vida social, sendo capaz de se reintegrar aos outros.

Senhor, ajuda-me a curar-me verdadeiramente, nos momentos da vida em que adoeço por vários motivos, e que eu não me esqueça de te agradecer por isso.

Frase para orar, Reflexão

O VERDADEIRO MILAGRE

No texto evangélico do homem rico e Lázaro, desta vez não me concentrei nas diferenças sociais que vemos com tanta frequência em nossa realidade, mas sim na última frase em que Abraão respondeu: «Se não escutam a Moisés nem aos Profetas, eles não acreditarão, ainda que alguém ressuscite dos mortos.»

Então me surgiu a pergunta: qual é o sentido de tanto esforço em transmitir a fé, por meio do catecismo, do trabalho missionário nas ruas, do que é compartilhado pela mídia, se ninguém vai convencê-los?

Sim. Não podemos negar que há pessoas que, por mais que você transmita o Evangelho na linguagem mais adequada para que elas entendam, não se convencerão. Mas, ao mesmo tempo, não acho que seja tempo perdido.

Outra coisa é se sentimos isso, porque não vemos o resultado. Queremos que a Igreja se encha «agora» com as pessoas que catequizamos. E isso não é visível agora. Elas podem ter retido algo, mas não vemos o seu fruto agora. Sentimo-nos fracassados!

O que é verdade — ou pelo menos eu acredito — é que a verdadeira fé se transmite através da rotina da vida, através do testemunho de cada dia, não através de milagres. E isso não é um fracasso! A fé autêntica é vivida em cada momento, em cada segundo, a partir de dentro, da espontaneidade. Não há expectativa de frutos imediatos. Eu simplesmente sou.

E eu sou do Evangelho do Amor que tenho dentro de mim e que me impele a vivê-lo. O verdadeiro milagre hoje é viver com o amor e tudo o que dele deriva, num mundo onde se respira o medo, a desconfiança, a violência…!

Reflexão

A ETAPA DA MUDANÇA

Existem etapas na vida que são como o outono.

São tempos de grandes mudanças, não apenas externas — em nosso entorno, mudanças que fazemos na vida, novos compromissos, situações de dor, incerteza… — mas também internas — maneira viver a mesma situação ou uma diferente, reorientar nossa vida, crescer interiormente… — que precisam ser enfrentadas.

Este período às vezes parece «tempo perdido», mas não é. Podemos realizar serviços simples e não extraodinários, sem querer dizer que são desnecessários. Pelo contrário! São importantes.

Esta ação pode ser simplesmente a nossa presença; mesmo frágeis, temos a possibilidade de ser um apoio para os outros, um companheiro e até mesmo uma ajuda mútua.

Mudamos internamente se não nos apegarmos ao passado e reconhecermos que queremos continuar «crescendo», que há esperança em meio às dificuldades, que aceitar a realidade nos leva à paz.

Então, aqueles frutos que são vistos sem esforço brotarão novamente: calma, alegria, riso espontâneo…

É aquela árvore que perde as folhas no outono, parece morrer no inverno e, ainda assim, brota novamente na primavera.

Frase para orar, Reflexão

O FATO DE COMPARTILHAR

Quantas perguntas e reflexões Jesus deve ter respondido ao seu modo, pessoalmente ou em meio à multidão!

No evangelho de Lucas, há uma que nem era pergunta, mas sim uma ordem: «Mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo» (Lc 12, 13).

Jesus não se envolveu com leis, mas respondeu com a sua maneira característica: por meio de parábolas. E nessa, ele apresenta a atitude de um homem já rico, que teve uma colheita de trigo abundante. Com uma postura egoísta, ele não pensou em compartilhar parte do que não cabia em seu celeiro. Ao contrário, decidiu ampliar os celeiros para guardar tudo só para si.

Mas, ao mesmo tempo, o verdadeiro ato de compartilhar não pode ser por obrigação, tem que vir de dentro, do nosso interior, especialmente em momentos difíceis, movidos pela compaixão pelos outros.

Por isso, Senhor, te peço que continues me ajudando a crescer no amor, que me leve a compartilhar — não apenas bens materiais, mas também o meu tempo, o meu carinho, o meu afeto.