Senhor, deixei tudo e te segui. Deixei minha família e eu tenho uma maior, mais universal, mais diversa, mas unida diante do mesmo chamado. Agora eu tenho uma família em que estamos reunidas e reunidos em teu nome, e você está no meio de nós.
Deixei tudo e te segui, porque apesar das dificuldades, dos momentos «baixos», do medo por diferentes razões… apesar de tudo, há algo que me puxa, me impulsiona, me leva a segui-lo. Essas perguntas que me chamam, essa Palavra que me empurra, essa certeza de que Tu me acompanhas e nos acompanhas a toda esta grande família no caminho.
Deixei tudo, Senhor, e te segui, porque teu amor é minha respiração, porque Tu es o meu sentido. Obrigada por me chamar para ir contigo.
O Espírito do Senhor está sobre mim -ou melhor, está em mim-. Ele me enviou para compartilhar a Boa Nova onde eu estiver e, principalmente, aos «pequenos e pobres» de hoje, às pessoas doentes aos necessitados não só materialmente, mas também de escuta, de carinho… de amor, às pessoas que vivem a solidão, o abandono, humilhação por diversos motivos.
O Espírito não está somente em mim, mas em cada ser humano. Por isso, deixo-me evangelizar pelas pessoas a quem sou enviada. Elas me evangelizam com sua confiança, com as perguntas que me fazem direta ou indiretamente conhecendo sua realidade, com suas conversas e reflexões… Essa relação me faz viver com profundidade -que é o oposto da superficialidade- e me questiona quando me desvio deste caminho.
Disse ele ao paralítico: «eu te ordeno: levanta-te, pega tua cama, e vai para tua casa!» (Mc 2, 11)
Tu me dizes para me levantar… cada vez que me deixo levar pelo medo, preguiça, cansaço… às vezes até me justificar para continuar mentindo, para não superar aqueles momentos que me paralisam. Mas no final, tua Palavra me questiona, me preocupa, me move por dentro e me faz levantar e pegar a maca.
Minha maca que, sendo o lugar onde eu fiquei «parada», também pode ser meu lugar de descanso que, sendo o tempo necessário -nem mais nem menos- é saudável. Minha maca onde vivi pesadelos e sonhos, estresse e descanso saudável. Minha maca onde eu sei que estarei novamente de diferentes maneiras mas, sem esquecer que vou continuar me levantando, -às vezes precisando de tua ajuda- e vou continuar levando-la para ir para casa.
E qual é a minha casa? Minha casa é onde Tu estás onde os pequeninos e os pobres: onde há pessoas doentes e deficientes, marginalizadas, humilhadas; quem sofre a solidão; quem precisa ser escutada, acolhida, amada.
Então, depois de tua Palavra, o que fazer? Só recebo uma resposta: levanta-me, pegar bem a maca – embora não sei se imediatamente – e sair para ir para minha casa, à vista de todos.
Jesus, Eu sei que você quer e pode me limpar… dos meus momentos vencidos pela preguiça, de egoísmo, de inquietação… Dos dias pessimistas em que a tristeza pesa sobre mim; Dos dias de angústia, de medo, de solidão…
Eu sei que você quer e pode me limpar. Eu só tenho que me aproximar de você e sem te dizer nada, você estende sua mão para mim, você me toca e você me diz: «Eu quero, você fica limpa».
Sua compaixão recebida me leva a mover, andar novamente proclamando a tua Palavra como eu quero e posso: «espalhando» seu amor para os outros.
Estes últimos dias do ano estou com a agenda mais ocupada. Aconteceu também que numa visita que eu queria fazer, a data foi mudada, devido a diferentes compromissos que vinham com a pessoa que ia visitar, tendo em conta o tempo livre que tinham aqueles que me iam levar àquele local.
Por fim, consegui fazer aquela desejada visita no dia 24 de dezembro à tarde, justamente quando Jesus vai nascer em uma manjedoura.
Um texto do Papa Francisco de 2019 me veio à mente: «Do Presépio, com meiga força, Jesus proclama o apelo à partilha com os últimos como estrada para um mundo mais humano e fraterno, onde ninguém seja excluído e marginalizado». Ele compartilhou tanto com os últimos que foi colocado no recipiente onde o gado come!
A verdade é que naquele dia especial, fui conhecer o local e falar com um Irmão que acolhe os últimos. Acolhe os pobres sem casa, sem família, sem amizade; às pessoas com dependência química, com doenças, com histórias que só elas saberão na sua totalidade. Na sua casa, dependendo e confiando nas pessoas caridosas, acolhe-as, alimenta-as, cuida delas… dá-lhes dignidade… partilha o amor de Deus por elas.
Nesta tarde de Natal, senti que Jesus nasceria no meio daqueles rejeitados e pobres, mas acolhido e cuidado por este Irmão, que prepara e dignifica a manjedoura, para que aí Jesus nasça, no meio das diferentes situações e histórias vividas por aqueles homens, e ele os alegra com seu sorriso contagiante, como fazem todas as crianças apesar de não as conhecerem.
Obrigada, Jesus, por me dar a oportunidade de vê-lo nascer numa manjedoura em «Belém», em uma pobreza – não distante – onde posso continuar a vê-lo crescer e reconhecê-lo nos outros dias do ano.
Mesmos que os montes se retirem e as colinas vacilem, meu amor nunca vai se afastar de você, minha aliança de paz não vacilará, diz Javé, que se compadece de você. (Is 54, 10)
O Senhor me ama, -ele nos ama-, assim como eu sou, -como nós-.
Ele vai me e vai nos continuar amando, apesar das mudanças pessoais que estamos fazendo na vida, algumas para melhor e outras para pior.
Ele não estabelece condições para ser amada e amado por Ele. Ele não muda seu amor, nem a curto prazo nem a longo prazo. É sempre igual, é sempre incondicional, é sempre um amor sem limites, um amor até dar a vida.
Ele nos ensina o que é o amor verdadeiro. Outra coisa é que sejamos conscientes disso, estajamos atentos para vê-lo, para senti-lo.
O que mais nós queremos?…
Obrigada, Senhor, por não mudar o teu amor, por dizer de maneiras diferentes que nos amas e por fazer isso todos os dias, mesmo que nem sempre estejamos conscientes disso.
Como está escrito no Livro das palavras do profeta Isaías: «Esta é a voz daquele que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas. Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão rebaixadas; as passagens tortuosas ficarão retas e os caminhos acidentados serão aplainados. E todas as pessoas verão a salvação […]
Você se lembra de quando ia à catequese? Talvez na época não tinha percebido, mas – como nos diz o Papa no Vídeo de dezembro – “Os catequistas têm uma missão insubstituível na transmissão da fé”.
Nas palavras do Papa Francisco: «ser catequista significa que a pessoa ‘é catequista’, não que ‘trabalha como catequista’. É todo um modo de ser, e são necessários bons catequistas, que sejam ao mesmo tempo companheiros e pedagogos”. Em muitos lugares do mundo, «a evangelização está fundamentalmente nas mãos de um catequista». Veja a importância da missão dos catequistas.
Este vídeo é para você e para os catequistas que você conhece.
«Os catequistas têm uma missão insubstituível na transmissão e no aprofundamento da fé.
O ministério laical do catequista é uma vocação, é uma missão. Ser catequista significa que a pessoa «é catequista», não que «trabalha como catequista». É todo um modo de ser, e são necessários bons catequistas, que sejam ao mesmo tempo companheiros e pedagogos.
Precisamos de pessoas criativas que anunciem o Evangelho, mas que o anunciem, não com timidez ou com barulho, mas sim com a sua vida, com mansidão, com uma linguagem nova e abrindo novos caminhos.
E em tantas dioceses, em tantos continentes, a evangelização está fundamentalmente nas mãos de um catequista.
Agradeçamos aos catequistas e às catequistas pelo entusiasmo interior com que vivem esta missão ao serviço da Igreja.
Rezemos juntos pelos catequistas, chamados a anunciar a Palavra de Deus, para que a testemunhem com coragem, com criatividade, com a força do Espírito Santo, com alegria e com muita paz.»
No dia de Santo André e de alguns dos discípulos, tem como Evangelho o chamado a ser pescador de homens (Mt 4, 18-22).
Ao ler o mesmo Evangelho várias vezes no ano, posso cair na frase quase automática de «esse texto de novo!» Mas dependendo do tom que eu dei, a sensação é muito diferente.
Posso vivê-lo raciocinando novamente que posso ser um daqueles pescadores ou pescadoras que Jesus chama, ficando só de cabeça, sem coragem, vivendo com o cansaço de tanta repetição.
Ou posso sentir novamente aquele chamado e impulso de segui-lo, de reconhecer que Ele segue confiando em mim, de perceber que, apesar das quedas, ele continua a me chamar. É para recordar que o compromisso não é vivido só no dia do baptismo, da primeira Eucaristia, da confirmação… O compromisso como cristão é vivido e renovado todos os dias.
Senhor, com a tua graça e impulso quero continuar a renovar o compromisso de pescadora de homens e mulheres, o compromisso de compartilhar a fé que Tu nos tem ensinado. Obrigada por continuar me chamando com meu nome.
Senhor, às vezes a tristeza me invade, diante da monotonia de um povo que não avança, que não melhora ou pelo menos não é palpável… Mas eu me levanto e ergo minha cabeça porque você me ensina a ver o progresso na vida cotidiana, nos sorrisos das pessoas pela visita, pela escuta, pela comida, pelas roupas… pela recepção feita.
Às vezes a angústia me invade nas situações de dor, sofrimento… Mas eu me levanto e ergo minha cabeça com a perspectiva que você me dá de ser apenas um tempo, de me dar a habilidade de enfrentar o momento.
Às vezes o cansaço me invade não só físico, mas também mental… Mas eu me levanto e ergo minha cabeça com sua compreensão, sua acolhida, suas palavras: «Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu darei descanso a vocês.»
Às vezes tenho dificuldade ou não consigo levantar e erguer a cabeça… Mas eu sei que você vai colocar alguém no meu caminho que vai me ajudar a levantar aos poucos e erguer minha cabeça com a esperança que me ajuda a ver pequenos sinais de liberação.