Estes dias me vem à cabeça uma música do Mecano -um grupo musical da Espanha dos anos oitenta-, principalmente o refrão.

E é que, quando chega o último dia do ano, parece que olhamos para trás o que vivemos, tanto o bons como o ruim.
Este ano tem gente que não o quer fazer, devido às consequências do Covid 19. Entendo que existem muitas pessoas afetadas negativamente: por terem sofrido a doença não de forma leve, mas fortemente; pela morte de um ente querido; por ter perdido o emprego, o sustento para viver com dignidade; pelo isolamento físico… e tantas outras consequências que preferiríamos não experimentar.
Mas, sem fugir dessa realidade, aqueles de nós que ainda estamos presentes, experimentamos também outras realidades. Pelo menos eu, em meio às minhas fragilidades e limitações – das quais tenho mais consciência – fiz-me valorizar mais os pequenos gestos: os telefonemas; trazendo a comida para o vizinho mais perto, par o avô, para o irmão… Tem sido um momento de oração mais intensa, mesmo nos momentos que eu tinha dificuldade de me concentrar por causa da inquietação interna, às vezes inconsciente, porque ali também Deus tem falado. Tem sido um momento de reflexão, de parar para mergulhar na minha vida, no meu sentido, na minha vocação de cristã, de religiosa Filha da Cruz e como traduzi-la no meu quotidiano. Tem sido um momento de viver com mais consciência e intensidade esses fatores importantes da vida.
Se tu não tem tido cinco minutos – e um pouco mais – para fazer um balanço deste ano, aproveita para o fazer, vendo o bem e enfrentando o mal e aprendendo com isso.
Alguns amigos já fizeram e até compartilharam comigo.
Seguindo a letra da música me despeço e peço a Deus que no próximo ano, em vez de um milhão, possam haver dois… gestos que reflitam o seu amor -a última coisa eu acrescento, aproveitando o fato de que na música não especificam o que ele pede- .








