Talvez existam pessoas que lhes possa chamar a atenção que celebramos com força este dia, exaltando a Cruz. Como podemos exaltar o «objeto» com o qual Jesus foi humilhado e matado?
Sua «culpa», a causa que causou essa morte humilhante e violenta, foi o amor até o
extremo. E é isso que a Cruz representa para nós: o amor ilimitado do Pai, que se vê na vida e na entrega o Filho, com a força Espírito Santo.
Jesus, na sua humanidade, viveu momentos indecisos em meio do perigo, como nos reflete a oração no Getsêmani (Mc 14,32-42). Mas seu amor era mais forte, ele tinha um amor sem limites e se arriscava ao extremo.
A cruz é a imagem do amor incondicional.
Estes dias, pessoas que refletem esse amor vêm à mente.
Há pessoas que morreram por este motivo, como a Irmã Maria Laura, que se sentiu mais motivada a acolher a jovem do que o risco que poderia acontecer ao sair naquele momento.
Recordo-me também de Pedro Casaldáliga, falecido recentemente por motivo de doença e idade, mas que várias vezes teve de se proteger devido às ameaças recebidas. A razão é que ele foi um grande defensor das etnias indígenas da Amazônia.
A cruz – como escrevi no início – é também o reflexo do sofrimento. Irmã Maria Laura, Pedro Casaldáliga e tantos outros conhecidos e anônimos ajudam aos crucificados de hoje, ajudam a descer da cruz, a sair dessas situações, com amor sem limites, como verdadeiros seguidores de Jesus.
Uma vida dada nem sempre tem que ser um risco sério. O que acontece é que muitas vezes – senão todas – é preciso ir “contra a corrente”, contra o ambiente consumista e individualista que se percebe.
Meu desejo – apesar de me sentir muitas vezes insignificante – é aliviar a
miséria e o sofrimento para os pobres, é ensinar-lhes o plano de amor de Deus para cada pessoa.
Que a ação do Espírito em nós nos ajude a refletir um amor sem limites, na simplicidade de nossas vidas.