Reflexão

Cuidado para que vocês não sejam enganados

Jesus disse-nos: «Cuidado para que vocês não sejam enganados, porque muitos virão em meu nome, dizendo «Sou eu» ou «O tempo já chegou», não sigam essa gente».

Lendo isso, veio à mente quando íamos iniciar o novo milênio e tanto se falava que o mundo ia acabar. Acontece que vinte anos depois, a vida continua. Não nego que é difícil, ainda mais com este ano, com tanta morte pelo Covit 19. Mas não podemos negar que outras vezes também ocorreram situações com muitas mortes por outras epidemias, guerras, fomes devido a secas… e a vida continuou.

Isso não significa que neguemos a morte, porque é uma outra etapa da vida, que graças à nossa fé vivemos essa dor desde a esperança. Mas o que devemos fazer não é pensar que este mundo está acabando agora, porque nem o próprio Jesus sabia o momento. Ele apenas disse que não será logo o fim.

Vivamos este tempo de dúvida, incerteza, dor… alimentados com a beleza do amor e da esperança que Jesus contagiou e continua contagiando às pessoas que o ouvem.

Reflexão

Jesus… disse chorando

Há dois detalhes que nesses quatro versículos de Lucas me chamam (Lc 19,41-44).

O primeiro é que Jesus chora, ele não é passivo, mas compassivo, ele tem sentimentos e não os esconde, porque em outro texto ele também o faz na frente das pessoas.

Os outros versículos, depende de como você lê, depende da imagem que você tem de Deus, pode ser uma ameaça quando diz: «eles esmagarão você e seus filhos dentro, e não deixarão em você pedra sobre pedra. Porque você não reconheceu o tempo em que Deus veio para visitá-la». Mas não é uma ameaça que Jesus nos faz, mas sim um «aviso».

Um aviso de que não reconhecê-lo pode tornar nossa vida fria, sem sentido… Sem reconhecer o Deus Amor, acabamos louvando o Deus Dinheiro, que nos faz fechar-nos em nós mesmos, nos isolamos dos outros, criamos outro tipo de solidão. No final, a ausência de amor gera inimigos e violência que não precisa ser física. Uma humilhação na frente das pessoas pode deixar uma marca maior do que um bofetada.

Jesus, eu te reconheço todos os dias e te agradeço por ter-me refletido em tua vida a Deus Amor, Deus de Compaixão.

Reflexão

Meu Zaqueu de dentro

Ao começar a ler o texto de Zaqueu (Lc 19, 1-10), a primeira coisa que me vem à mente é o «etiqueta». Muitas vezes -senão sempre- quando conhecemos um pouco uma pessoa, tendemos a etiquetá-la com diferentes qualidades: epiléptica, retardada, generosa, egoísta, preguiçosa… E esses rótulos, em geral, ficam por toda a vida. Achamos que o «cobrador de impostos», o egoísta, nunca vai mudar. É verdade que se você olhar a vida de políticos corruptos… seria difícil para nós ver sinais de conversão, mas… eu não tenho nada de Zaqueu? Às vezes não tenho pensamentos e/ou ações egoístas? Não quero por vezes apoderar-me de certas riquezas, que nem sempre têm de ser materiais (dons, aptidões …)?

Mas Zaqueu tem outra qualidade que é positiva. Ele fez tudo o que tem ao seu alcance para ver Jesus e vê-lo da melhor maneira possível. Ele era baixo, mas subiu na figueira. E o próprio Jesus se «convidou» a ir à casa de Zaqueu. Veria ele nesse esforço de escalar a figueira, uma atitude de «conversão», de disponibilidade para mudar? Não sei. A verdade é que sim. Jesus acolheu Zaqueu em sua «família» e Zaqueu acolheu Jesus em sua casa.

Aquela parte positiva de fazer tudo o que está à meu alcance, de reconhecer minhas falhas, minhas fraquezas e ao mesmo tempo, de não me cansar de subir na figueira -por exemplo com a oração-, para ver mais claramente o convite que me faz cada dia: «desce depressa, porque hoje preciso ficar em sua casa».

Reflexão

O homem e seus empregados

Na parábola do homem e seus empregados, quando orei, concentrei-me em três pontos.

Primeiro, quando diz que: «Chamando seus empregados, entregou seus bens a eles. A um deu cinco talentos, a outro dois e um ao terceiro: a cada qual de acordo com a própria capacidade». Ninguém pede mais do que pode, nem ele os compara, simplesmente pede de acordo com a capacidade de cada um, nem mais… nem menos… Bem, até a recompensa é a mesma, para quem exerceu as suas capacidades. Ele responde a ambos da mesma forma: «Muito bem, empregado bom e fiel! Como você foi fiel na administração de tão pouco, eu lhe confiarei muito mais. Venha participar da minha alegria».

A segunda coisa que me veio à cabeça é o medo do terceiro trabalhador: «fiquei com medo» O medo que, por exemplo, diante do perigo, te faz correr ou te paralisa e, há pessoas que, diante de uma situação que não é arriscada, te faz reagir assim por causa de situações passadas.

Mas voltando ao texto, antes de dizer que estava com medo, ele diz: «Senhor, eu sei que tu és um homem severo pois colhes onde não plantaste e recolhes onde não semeaste». E ao mesmo tempo me pergunto: é este o verdadeiro Deus ou é a imagem que ele tinha Dele e aquela imagem lhe causou medo, paralisou-o? E trazendo para a minha realidade: que imagem tenho de Deus? Tenho a imagem do Deus juiz castigador – que infelizmente houve um tempo que assim se transmitiu – ou do Pai Misericordioso?

Senhor, obrigado por me confiar uma missão de acordo com minha capacidade. Que abrindo-me à tua graça, possa superar os medos que por várias razões tenho e às vezes me paralisam.

Reflexão

O reino de Deus está no meio de você

Foi esta frase que me inquietou. O Reino de Deus está no meio de nós! Mas o que é o Reino de Deus? Jesus nunca o definiu, mas deu exemplos. Porém, desta vez, não quis ler os exemplos que estão na Bíblia, e quis observar um pequeno texto de «A alternativa de Jesus» escrito por José Antonio Pagola.

O seguinte está escrito:

«Não é de estranhar que, confiando a sua missão aos seus discípulos, Jesus os imagine não como médicos, hierarcas, liturgistas ou teólogos, mas como curandeiros: «Proclamai que o reino de Deus está no meio de vocês: curar os enfermos, ressuscitar os mortos, limpar os leprosos, expulsar demônios. Você recebeu de graça, dê de graça.» A primeira tarefa dos seguidores não é celebrar cultos, elaborar teologia, pregar moral, mas curar, libertar do mal, curar a sociedade, ajudar a viver de maneira saudável. Este programa terapêutico é o caminho do reino de Deus.»

«No reino de Deus havia lugar para pecadores, cobradores de impostos e prostitutas. Ele não se dirigia a eles em nome de um juiz irritado, mas de uma forma amigável e acolhedora, em nome de um Pai compassivo.»

«O reino de Deus é uma mesa aberta onde todos se podem sentar. Você não precisa mais se reunir em torno de mesas separadas que excluem outras pessoas para salvaguardar sua própria identidade. A identidade do grupo de Jesus não é excluir ninguém.»

Se voltarmos à frase que «o Reino de Deus está no meio de nós» (Lc 17, 21), significa que o nosso coração nos leva a acolher sem discriminação por ser cobradores de impostos ou prostitutas… ser pobres, estar doentes, ter alguma deficiência, sofrer de um problema emocional, ser indígena… E essa acolhida nos leva à escuta que liberta e cura a pessoa, liberta-a do mal, tira-a do desânimo.

Cada vez que vivemos fatos como esses, estamos nos fazendo presentes, estamos vivendo, fazendo vida o Reino de Deus.

Reflexão

Somos empregados inúteis

A frase: «Somos empregados inúteis, fizemos o que devíamos fazer» (Lc 17,10), à primeira vista parece forte mas isso depende de como você vive o serviço.

Se a raiz do serviço é o amor, vou vivê-lo com alegria e depois de trabalhar como agricultor, pastor … auxiliar de enfermagem, professor ou qualquer outro trabalho, sem que ninguém me diga nada, irei visitar um vizinho que está só, irei ajudar a Cáritas, junto-me na oração com a comunidade… cinjo-me livremente para prestar qualquer serviço por amor.

Outra coisa é se a razão de eu realizar este serviço é para «ganhar alguma coisa». Aquela frase «você tem ganhado o céu» -que é popular na Espanha- vem à mente. Realmente «ganhamos o céu» pelo que fazemos ou pelo amor com que o fazemos? Além disso, dependendo da motivação de onde eu realizar o serviço, ele vai me encher por dentro, vou superar as dificuldades, vou aprender e crescer como pessoa… ou será um «fardo pesado», na primeira dificuldade «jogo a toalha», «vai me amarga a minha vida»…

Não estou dizendo que sendo servo, que servindo, não haja dificuldades. Outras vezes o serviço é alterado para fazer melhor, no qual me vejo mais capaz. Mas sempre com aquela atitude humilde e alegre.

Senhor, eu quero ser uma empregada inútil livremente e por amor.