Frase para orar, Reflexão

Meu batismo, teu batismo

A vida pública de Jesus começa pouco depois do batismo (Mc 1, 9-11) e no Evangelho de Marcos, alguns versículos antes, há uma frase de João Batista: «Depois de mim vai chegar alguém mais forte do que eu. E eu não sou digno sequer de me abaixar para desamarrar as suas sandálias».

Com o vocabulário e gestos de seu tempo, entendo que sua liderança – com todos os seguidores que ele teve – tem vivido desde a humildade, desde o serviço.

Há pessoas que, depois de terem uma responsabilidade «elevada», têm dificuldade em «rebaixar» novamente, é difícil para elas passarem despercebidas, como parte da equipa de trabalho. Mas Juan Bautista soube faze-lo; em seu tempo e contexto, ele foi um grande exemplo.

Pouco depois Jesus apareceu e quando ele foi batizado ouviu-se uma voz que dizia: «Tu és o meu Filho amado, em ti encontro o meu agrado». Às Filhas da Cruz vem quase automaticamente a frase da Fundadora: «Levo a sério o compromisso do meu baptismo». O baptismo é vivido todos os dias, não é uma celebração isolada, num dia específico da minha vida, que só fica nas fotografias.

Outra coisa é discernir como viver esse compromisso.

Isso me leva a renovar aquele batismo que recebi, comprometendo-me a viver cada dia com um espírito evangélico de amor, de simplicidade, de serviço.

E você: como faria? A que o chama esse compromisso batismal?

Frase para orar, Reflexão

Deus é amor (1Jo 4, 8)

Às vezes, quando vejo as pessoas do bairro onde moro, me vem a memória de um encontro bíblico que tive há alguns anos em outro lugar.

Não me lembro exatamente que texto estávamos pensando. O que sei é que ele estava falando sobre o amor.

Uma das pessoas disse que os cristãos se distinguem pelo amor. E é verdade ou, pelo menos, devemos ser vistos transmitindo amor a todas as pessoas com quem nos relacionamos. Mas me perguntei: não existem pessoas que se consideram ateus, agnósticas, ou que nem mesmo questionam a existência de Deus, mas cuja vida é verdadeiramente um reflexo do amor de Deus?

Na Capela onde estou agora, gente da paróquia começou a fazer um «almoço popular» para partilhar a comida com os necessitados do bairro e, se tem fundaram aquela panela há tanto tempo, foi graças a outras pessoas que não questionam a sua fé, mas consideram importante ajudar as pessoas que não têm suas necessidades básicas atendidas. Em outros lugares essa mesma ajuda foi feita, por iniciativa de pessoas que não são da Igreja.

Pessoalmente, isso me leva a pensar várias coisas. A primeira coisa é que não devemos cair na crença de que somos os melhores do mundo. Há muitas pessoas de coração generoso. Isso me leva ao fato de que, nesses corações generosos, está também o de Deus – embora não de forma «oficial» – e eles próprios podem nos ensinar o Evangelho do Amor, que é o reflexo de Deus, porque Deus é Amor.

Depois de relembrar esta memória, um único desejo me vem à mente: ser um instrumento humilde e simples que compartilhe o amor de Deus.

Mensagem do Papa

A serviço da fraternidade – O Vídeo do Papa

Neste novo ano que se inicia, o Santo Padre nos propõe um novo desafio: ser mais fraternos. “Sonhemos como uma única humanidade, como caminhantes da mesma carne humana, como filhos desta mesma terra que nos acolhe a todos, cada qual com a riqueza de sua fé ou de suas convicções, cada qual com a própria voz, mas todos irmãos”. Você se anima a cultivar o diálogo e dar espaço para conhecer melhor os outros? Junte-se a esta iniciativa e coloque em prática a fraternidade. Difunda esta mensagem de Francisco compartilhando este vídeo!

“Ao rezar a Deus seguindo Jesus, unimo-nos como irmãos àqueles que rezam seguindo outras culturas, outras tradições e outras crenças.

Somos irmãos que rezam.

A fraternidade leva-nos a abrirmo-nos ao Pai de todos e a ver no outro um irmão, uma irmã, para partilhar a vida ou para se apoiar mutuamente, para amar, para conhecer.

A Igreja valoriza a ação de de Deus nas outras religiões, sem esquecer que para nós, cristãos, a fonte da dignidade e da fraternidade está no Evangelho de Jesus Cristo.

Nós, que cremos, devemos voltar às nossas fontes e nos concentrar no que é essencial. O que é essencial da nossa fé, a adoração a Deus e o amor ao próximo.

Rezemos para que o Senhor nos dê a graça de viver em plena fraternidade com os irmãos e irmãs de outras religiões e não andar discutindo, mas rezando uns pelos outros, abrindo-nos a todos.”

Reflexão

Os Reis Magos

O dia dos Reis Magos chega e me traz a lembrança de quando eu era pequena e ia abrir os presentes, que estavam sempre com um cartão que dizia: «Do Rei Balthazar, para Amaia» e terminava com o ano.

Sim. A avó sabia qual era o Rei preferido de cada um de nós.

Não me lembro se dissemos o que gostaríamos. O que está claro para mim é que nunca enviamos nenhuma carta -como em alguns lugares eles fazem agora- para que eles soubessem o que queríamos que eles nos dessem.

Jesus poderia dizer a eles o que ele queria? Uma criatura que ainda nem fala, como nós quando éramos pequenos?

Eles souberam dar o que ele precisava em sua vida.

Ouro, que é o presente típico dado aos reis… e foi à sua maneira: Rei-servo, porque não veio para ser servido, mas para servir.

Incenso, que era usado nas ordenanças do sacerdócio.

E mirra, para o momento em que ele fosse embalsamado, pois ele iria morrer.

É verdade que estes presentes foram «úteis» para a sua vida e nós… pensamos mais para este ano. Portanto, em meu pedido, vou fazer uma modificação.

Vou colocar uma página em branco e vou confiar ao Rei Balthazar que me envie tudo o que ele ache conveniente para me ajudar a viver este ano em profundidade, com sentido e a superar as dificuldades. A verdade é que não é facil para ele, mas com o Menino Jesus acertaram, e também como quando eu era pequena tinha a confiança de que você me daria algo de que eu gostaria, agora coloco essa outra confiança.

Portanto, estou esperando a resposta do meu Rei favorito. Também pode ser uma folha em branco, que vai sendo preenchida com o passar dos dias. Mas aquela folha com sua frase e sua data, estão cheios da ilusão de que a todo ser humano o ajuda a viver.

Frase para orar, Reflexão

O encontro com Jesus

Jesus encontra Filipe (Jo 1, 43-51) e aqui não há discursos nem explicações, ele apenas lhe diz: «Segue-me»

Depois da experiência, ele tenta compartilhar com Natanael sua fé, sua certeza. Mas -como este texto reflete- as palavras muitas vezes não conseguem convencer ou expressar tudo o que é sentido, o que é acreditado. E Felipe, sem tentar explicar melhor, diz: «Venha e veja».

E é verdade. Costumo dizer que nossa linguagem, apesar do rico número de palavras para expressar o que queremos, muitas vezes é insuficiente.

Existem experiências que são inexplicáveis; que você tem que vivê-los para entendê-los. E entre eles, em muitas situações está a fé.

Como você pode convencer alguém de que quando duas ou três pessoas estão reunidas em nome de Jesus, ele está no meio? Alguns até riem na sua cara!

O convite para o encontro, em muitos momentos, é a melhor pregação. E se a pessoa é encorajada e tem a graça de viver um encontro com Jesus, ninguém terá que convencê-la de nada, mas ela responderá como Natanael: «Rabi, você é o Filho de Deus, você é o Rei de Israel».

Obrigada, Senhor, por me dizer: «Segue-me». Obrigada, por cada encontro que vivo convosco.

Reflexão

E a Palavra se fez carne e habitou entre nós

Para mim, essa é a frase do dia: «E a Palavra se fez carne e habitou entre nós» (Jo 1,14)

A Palavra -Jesus- que ao se tornar carne teve que passar pelo processo de todo ser humano: de ser formado no seio de sua mãe; de nascer; crescer em sabedoria, estatura e graça…

Ao mesmo tempo, sua vida chegou até nós por meio da Palavra, por meio da Bíblia, onde ele compartilha seus ensinos, suas Palavras.

Deus nos dá sua Palavra viva para iluminar e avivar nossa fé.

Que a tua Palavra, Senhor, seja minha luz, meu guia, minha fonte de crescimento em sabedoria e graça, neste ano que iniciamos.

Reflexão

Um ano mais

Estes dias me vem à cabeça uma música do Mecano -um grupo musical da Espanha dos anos oitenta-, principalmente o refrão.

E é que, quando chega o último dia do ano, parece que olhamos para trás o que vivemos, tanto o bons como o ruim.

Este ano tem gente que não o quer fazer, devido às consequências do Covid 19. Entendo que existem muitas pessoas afetadas negativamente: por terem sofrido a doença não de forma leve, mas fortemente; pela morte de um ente querido; por ter perdido o emprego, o sustento para viver com dignidade; pelo isolamento físico… e tantas outras consequências que preferiríamos não experimentar.

Mas, sem fugir dessa realidade, aqueles de nós que ainda estamos presentes, experimentamos também outras realidades. Pelo menos eu, em meio às minhas fragilidades e limitações – das quais tenho mais consciência – fiz-me valorizar mais os pequenos gestos: os telefonemas; trazendo a comida para o vizinho mais perto, par o avô, para o irmão… Tem sido um momento de oração mais intensa, mesmo nos momentos que eu tinha dificuldade de me concentrar por causa da inquietação interna, às vezes inconsciente, porque ali também Deus tem falado. Tem sido um momento de reflexão, de parar para mergulhar na minha vida, no meu sentido, na minha vocação de cristã, de religiosa Filha da Cruz e como traduzi-la no meu quotidiano. Tem sido um momento de viver com mais consciência e intensidade esses fatores importantes da vida.

Se tu não tem tido cinco minutos – e um pouco mais – para fazer um balanço deste ano, aproveita para o fazer, vendo o bem e enfrentando o mal e aprendendo com isso.

Alguns amigos já fizeram e até compartilharam comigo.

Seguindo a letra da música me despeço e peço a Deus que no próximo ano, em vez de um milhão, possam haver dois… gestos que reflitam o seu amor -a última coisa eu acrescento, aproveitando o fato de que na música não especificam o que ele pede- .

Frase para orar, Reflexão

Ação de graças… como Ana

No Evangelho de Lucas, uma profetisa chamada Ana é mencionada.

Sem focar na palavra de profetisa, sendo mulher, foco na ação de graças que ela deu àquele filho, que ela deu a Jesus. E entrando em minha vida, um agradecimento também vem para mim:

Obrigada, Senhor, pelas pessoas que formaram e fazem parte da minha vida, que como Ana, espalham a fé com suas palavras e seu testemunho.

Obrigada por ter te encarnado, por ter te feito filho, por ter vivido todo esse processo de dependência, crescimento em todos os sentidos, discernimento, alegria e tristeza, esperança e angústia… Me sinto compreendida por ti em qualquer momento que eu esteja vivendo, especialmente em situações difíceis.

Obrigada Senhor por estar conosco!

Reflexão

Onde Jesus nasceria este ano?

Há alguns anos, quando celebrava a Eucaristia no dia de Natal, o padre na sua homilia disse-nos que: se Jesus tivesse nascido naquele dia, naquele ano específico, teria nascido perto do campo de futebol de uma determinada cidade -que não quero citar-, porque todas as noites ali reuniam-se cerca de cem pessoas, que dormiam lá, aproveitando o espaço coberto que tinha, para não se molharem se chovesse e para ficarem um pouco mais abrigadas do vento.

Isso me fez pensar muito!

Jesus nasceu em uma manjedoura, no meio de vacas, galinhas… Ele não nasceu em nenhum cômodo ou casa como eram simples naquela época.

As primeiras pessoas que o viram foram os pastores, ou seja, pessoas que ganhavam a vida com um trabalho muito humilde e «pouco valorizado».

A partir desse momento, todos os anos, à medida que esta data se aproxima, me pergunto onde nasceria Jesus, com a situação atual. É verdade que poderia nascer em muitos lugares bem diferentes mas, como me parece lógico, questiono-o tentando responder nos lugares que conheço.

Este ano tenho bem claro onde o teria feito e seria num centro de reabilitação para dependentes químicos, que tenho conhecido na tarde do dia 24 de dezembro, onde tive a graça de celebrar ali a Eucaristia de Natal, com outras irmãs da minha Congregação .

Grata por compartilhar esse tempo com eles, que nos receberam com muita alegria e confiança. Começamos a ensaiar as canções e, quando chegou o sacerdote responsável deste projeto, começamos a festejar com aquela fé misericordiosa e esperançosa que professamos.

Em uma parte da celebração, depois que o sacerdote fez a homilia, compartilharam os jovens suas reflexões e sentimentos com suas palavras espontâneas. Então eles nos pediram para compartilhar o motivo da nossa vocação, porque estávamos lá… o que saísse da cor nesse momento.

Não sei quem foram os agraciados ou agraciadas: se eles por terem recebido aquela visita, ou se nós, pelo encontro e pelo trato que tiveram conosco. A verdade é que, estando ali, veio a mim aquela sensação de certeza total, confirmando que Jesus teria nascido ali. Em um lugar onde vivem pessoas pobres, desprezadas, «não valorizadas»; pessoas julgadas sem saber que história e situação as levaram a esse mundo; pessoas «marcadas» para a vida…

Obrigada, Senhor, por ter me dado a oportunidade de vê-lo naquela «manjedoura», onde aqueles «pastores» te reconheceram, com sua proximidade, seu acolhimento e sua fé.