Reflexão

ESTAI VÓS APERCIBIDOS

O primeiro domingo do Advento, francamente, não causa uma primeira impressão agradável. Fala de tantas catástrofes… é assustador. E não podemos negar que muitas delas estão acontecendo de fato ultimamente, com essa mudança ambiental causada por nós, além da violência e das guerras que parecem não ter fim.

Diante desse texto e seu contexto, fico com a última frase: «Por isso, estai vós também apercebidos; porque, à hora em que não pensais, virá o Filho do Homem» (Mt 24, 44). Nessa «vinda inesperada» de Cristo, que eu também veio como algo muito distante que não me afetará, há algo que acontecerá, e isso é a morte. O problema é que é um tema que rejeitamos quase automaticamente, apesar do fato óbvio de que afetará a todos nós.

Quando somos jovens, parece que ainda há tempo antes desse momento; enxergamos a morte como algo distante, mesmo vendo notícias de acidentes com jovens mortos, pessoas com doenças degenerativas, o infame câncer, agora disseminado e incurável…

Não estou dizendo que precisamos pensar constantemente na morte, mas não devemos rejeitá-la. Ao mesmo tempo, podemos vivê-la pela fé, pela esperança que Jesus também nos transmitiu: que a vida não termina aqui e que nosso Pai Misericordioso nos acolherá.

Pessoalmente, não sei se me sentirei preparada quando chegar a hora de dar esse passo. O que eu gostaria é de poder responder como Pedro Casaldáliga: «No final do caminho me dirão: – E tu, viveste? Amaste? E eu, sem dizer nada, abrirei o coração cheio de nomes».

Senhor, ajuda-me a continuar crescendo no amor para que eu possa dar vida ao Evangelho até o meu último dia.

Reflexão

REINADO DE JESUS

«Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo!»
Acima dele havia um letreiro: «Este é o Rei dos Judeus» (Lc 23, 37-38).

Na verdade, ao longo da história houve vários reis que morreram assassinados, mas… crucificados!

O reinado de Jesus é muito diferente. Não gosto particularmente desse termo porque, pelo menos para mim, a minha mente automaticamente pensa na coroa de ouro que reflete a sua riqueza, no poder, em alguém que deve ser servido, que se distancia dos pobres, embora muitas vezes seja ele a causa dessa miséria, que leva à escravidão…

Mas o reinado de Jesus foi o completo oposto. Ele nasceu numa manjedoura… na pobreza (Lc 2, 7). Ele não veio para ser servido, mas para servir (Mc 10, 45). Ele esteve entre os desprezados, com os pobres e os cobradores de impostos (Lc 7, 34), com os doentes e os «pecadores» (Mc 1, 32). A sua vida não foi sobre poder, mas sobre serviço, até ao ponto de morrer do jeito mais doloroso e humilhante, isto é, crucificado (Lc 23, 33).

Como diz a canção «Rei dos Reis» de Salomé Arricibita:
REI DESCALÇO, REI SEM TRONO
REI DOS REIS, REI DE TODOS
SEM HERANÇAS, SEM TESOUROS
LADO A LADO ENTRE NÓS
REI MENDIGO, REI AMIGO
SÓ VESTIDO COM AMOR

Obrigada, Senhor, pelo teu humilde reinado de serviço e dedicação desde a pobreza. E ajuda-me a não me esquecer que: A autoridade é um serviço, como diz o livro Espírito e Vida das Filhas da Cruz.

Irmã Maria Laura, oraçao

EIS-ME AQUI!

Um dia, a Beata Maria Laura escreveu:
«Servir a Cristo é reinar. Eis-me aqui! Eu, Teresina Mainetti, chamada Irmã Maria Laura. Amém. Aleluia.
Toma, Senhor, e recebe toda a minha liberdade, minha memória, meu entendimento e toda a minha vontade…
A alegria do meu serviço a cada instante, segundo a tua Divina Vontade.
Dá-me o teu amor e a tua graça, que isto me basta (Inácio de Loyola)».

Lugar onde ela foi martirizada
Reflexão

TUA MENSAGEM DE PAZ

«Ah! Se neste dia também tu compreendesses o que conduz à paz!» (Lc 19, 42)

Diante da falta de compreensão e/ou aceitação da mensagem de paz, Jesus chora. Ele conhece as consequências daqueles ambientes onde as responsabilidades não são vistas como serviço, mas como poder; onde a humilhação e a marginalização de certas pessoas podem até ser justificadas…

Aqueles dias desastrosos que ele previu, foram consequência da ausência do amor que pregava. O amor leva à compaixão, à paz, e sua ausência, ao oposto.

Apesar de conhecer as consequências violentas da política vigente e sentir tristeza diante dessa realidade, ele não desistiu e continuou a compartilhar a sua mensagem. Muitas outras pessoas, tanto em tempos de paz quanto de violência, continuaram a transmiti-la.

Agora, quando parece que estamos regredindo em termos humanos, apesar de nossas lágrimas diante da impotência de não poder deter a violência, as guerras que parecem intermináveis, o tráfico de pessoas… podemos continuar a compartilhar a sua mensagem. E, ao mesmo tempo, lembremo-nos, naqueles momentos em que somos dominados pelo desespero diante da realidade, que Jesus nos compreende.

Senhor, concede-nos a graça de que precisamos para continuar compartilhando a tua mensagem de paz.

oraçao

A CONSTÂNCIA

Graças à constância da minha fé,
eu me apego à esperança de um mundo melhor,
mais humano,
em meio à violência que existe,
não apenas em países que sofrem com a calamidade da guerra.

Graças à constância da fé,
encontro a coragem para me levantar e dar sentido a cada dia,
mesmo em momentos de tristeza,
incerteza e angústia…

Graças à constância da fé,
continuo a querer viver o amor,
especialmente com pessoas que têm diferentes necessidades,
apesar das mentiras de alguns.

Graças à constância da fé,
continuo a acreditar em Ti,
apesar de tantas críticas em alguns círculos.

Graças a Ti, minha vida tem sentido.
Tu és o meu sentido e me tornas constante porque,
eu sei que em cada momento da vida,
forte ou frágil,
Tu estás comigo.
Isso me salva;
isso me liberta.

Reflexão

VERDADEIRA FIDELIDADE

Muitas vezes, quando a leitura do Evangelho do dia tem — ou me parece ter — muito conteúdo e me sinto distraída, concentro-me na frase que me toca mais profundamente, aquela à qual retorno quase automaticamente para relê-la.

No caso de hoje, foi: «Quem é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes; e quem é injusto nas pequenas também é injusto nas grandes.» (Lc 16, 10)

E como é verdade! Meu dia a dia é um reflexo do que experimento interiormente. Se vivo o Evangelho, o amor de Deus me leva a amar o meu próximo, à compaixão, que me impulsiona a vivê-la com as pessoas ao meu redor, sem esperar para participar só das campanhas extraordinárias, como as da Cáritas ou as organizadas em resposta a ajuda urgente após uma catástrofe. Além disso, esses gestos geralmente passam despercebidos pelos outros; não são ostentosos, são sinceros. Essa é a verdadeira fidelidade!

Senhor, ajuda-me a continuar crescendo em fidelidade a ti a cada dia, na vida cotidiana e muitas vezes despercebida, que se esforçam para refletir o teu Evangelho.

Reflexão

O ENCONTRO FINAL

Hoje é o dia em que lembramos liturgicamente os nossos familiares e amigos falecidos, embora em alguns lugares visitemos os cemitérios no Dia de Todos os Santos.

Os discípulos tiveram que sofrer, assim como nós sofremos quando um ente querido morre, e neste caso, crucificado, sofrendo uma morte violenta.

Em meio a essa situação, Jesus diz: «Não se perturbe o vosso coração. Crede em Deus, crede também em mim» (Jo 14, 1).

Nossa fé nele nos dá esperança em meio à dor da separação «física» daquela pessoa que foi tão importante nas nossas vidas e a quem não poderemos mais ver face a face. Jesus nos encoraja a continuar crendo; a viver com a esperança desse reencontro no lugar que ele está preparando para nós, para que onde ele estiver, nós também possamos estar.

Ele nos lembra que já conhecemos o seu caminho, o caminho do amor infinito, trilhado através de nossos passos e quedas, nossas forças e fraquezas… sentindo a bondade e a misericórdia de Deus.

Hoje quero agradecer pelo amor recebido daqueles que partiram e que fizeram parte da nossa história; eles nos ensinaram o que é sentir-se amado e amar; eles tornaram o Evangelho do Amor visível e tangível, consciente e/ou inconscientemente.

Também, Senhor, agradeço-te pela tua bondade, porque a tua misericórdia jamais acaba, mas se renova a cada manhã, e tu nos preparas, pouco a pouco, para o nosso encontro final contigo.