Reflexão

FILHOS E FILHAS DE DEUS

Começo com algumas perguntas que me vêm à mente ao ler o prólogo do Evangelho de João: Como expressar o inexpressável? Como apresentar a existência do Criador e Sua Encarnação? Ao mesmo tempo, como expressar nessas poucas frases as diversas reações das pessoas: crer nele ou não?

O que fica claro é que somos livres para crer nEle ou não, sem esquecer que aqueles que têm a graça da fé possuem uma força – não gosto particularmente da palavra «poder» por causa de como ela pode ser interpretada – que nos ajuda a viver cada dia de forma diferente: a viver com profundidade, não superficialmente; a dar sentido à vida; a nos permitir crescer no amor e em tudo o que ele implica…

Ser filhos e filhas de Deus nos faz pensar no Pai: no que Ele nos ensina, no amor recíproco que experimentamos graças a Ele, em Sua misericórdia.

Reconheço que repito certas coisas, e isso porque elas são fundamentais, pelo menos para mim.

É por isso que quero recebê-Lo em minha casa todos os dias. Quero conhecê-Lo e reconhecê-Lo. Quero viver, com a Sua graça, o compromisso de ser filha de Deus, Sua filha.

Mensagem do Papa

Natal

«Naquela noite que se tornou santa pelo nascimento do Salvador encontramos um outro sinal poderoso: a pequenez de Deus. Os anjos mostram aos pastores um menino nascido numa manjedoura. Não um sinal de poder, de autossuficiência ou de soberba. Não. O Deus eterno reduz-Se a Si próprio a um ser humano indefeso, pobre, humilde. Deus rebaixou-Se para que nós possamos caminhar com Ele e para que Ele possa pôr-Se ao nosso lado; Deus não quer pôr-Se acima ou longe de nós.»
(Livro: O presépio do Papa Francisco)

Que possamos reconhecer Deus na imensidão da sua pequenez.

FELIZ NATAL!

Reflexão

Onde encontramos o Filho encarnado hoje?

Há alguns dias li um pequeno artigo da Espiritualidade Inaciana, que terminava com algumas perguntas: Como esta ação da Trindade e a atitude de Maria iluminam a nossa fé? Onde encontramos o Filho encarnado hoje? Que colaboração a Trindade me pede para construir um mundo mais humano?

Hoje, muito perto da data do Natal que celebraremos dentro de algumas horas, voltei a interrogá-los.

Na verdade, a primeira resposta que me veio -quase automaticamente- foi: no Merendero Dom Oscar Romero e no Lar Sagrado Coração de Jesus ao referir-se ao local onde hoje encontramos o Filho encarnado.

Jesus nasceu na pobreza e as primeiras pessoas que vieram vê-lo foram os rejeitados. Nestes dois lugares dirigidos pelo Irmão Marcelo e apoiados por muitas pessoas, encontram-se homens rejeitados e muito pobres, e crianças e adolescentes com uma diversidade de pobreza, não só material.

Sim. É lá que eu o vejo nascer, nos dando toda a sua confiança, para que possamos cuidar dele e também alimentá-lo com carinho; para que olhemos para ele, falemos com ele, ouçamos…; estar calmo e poder se encontrar com outras pessoas; sentir e compartilhar amor verdadeiro, amor compassivo.

Maria, desde a humildade e a fé, desde a sua pequenez, tem a certeza de que o Senhor a ajudará a realizar o que lhe foi confiado. Ela não está sozinha, mas está com José e tenho a certeza que em vários momentos da sua vida, nas suas diversas necessidades, teve pessoas anónimas que a ajudaram, como a humilde família que não conhecemos, mas que lhe deixou o que pouco tinham, o cepo e nele a manjedoura.

O Deus Trino, que nunca nos deixa sozinhos, que é Deus Comunidade, confiou em Maria e agora confia no Irmão Marcelo e em tantas outras pessoas – entre as quais me sinto parte – para construir um mundo mais humano, onde a Boa Nova do Amor tornam-se visível; para torná-lo tangível, como Jesus fez.

Que com o meu pequeno serviço e com o meu ser, além do de tantas outras pessoas, eu possa ver e ajudar a ver de novo, nascer -e renascer- o Amor de Deus em nossos presépios, em nossa pequenez… no menino Jesus que reconhecemos e levamos dentro de nós.