Reflexão

DESPRENDER-SE

«Deixaram as redes… Deixaram a barca!»

Uau! Simão, André, Tiago, João… foram chamados por Jesus, mas para segui-lo, tiveram que deixar algo para trás, tiveram que se desprender de algo. E não qualquer coisa, mas o que usavam todos os dias no seu trabalho matinal; ou seja, esse desapego significou uma mudança total nas suas vidas.

Ao mesmo tempo, acho que em diferentes momentos de suas vidas, eles tiveram que se desprender de outras coisas e/ou pessoas importantes; experimentaram mudanças na maneira como viviam seu discipulado de Jesus, fazendo-o em outro lugar, com outras pessoas, em outras situações, o que também foi outra forma de desapego. Esse «desapego» não precisa ser apenas de coisas físicas, porque as redes e o barco também abrangem todo o seu contexto: as pessoas com quem trabalhavam, a rotina diária bem aprendida.

Isso me lembra das mudanças em projetos e lugares em que estive que me fizeram abrir mão fisicamente de colegas, amigos e do contexto da missão. Para conseguir realizar isso, considerando as diferentes realidades do momento, as pessoas com quem estou, a paróquia, a congregação e até mesmo a minha própria.

Tu tens deixado algo para seguir Jesus? Tens tido mudanças em seus compromissos que fizeram te desapegar de algo ou alguém? Do que tens que te desapegar para poder responder hoje ao chamado de Jesus?

Reflexão

FILHOS E FILHAS DE DEUS

Começo com algumas perguntas que me vêm à mente ao ler o prólogo do Evangelho de João: Como expressar o inexpressável? Como apresentar a existência do Criador e Sua Encarnação? Ao mesmo tempo, como expressar nessas poucas frases as diversas reações das pessoas: crer nele ou não?

O que fica claro é que somos livres para crer nEle ou não, sem esquecer que aqueles que têm a graça da fé possuem uma força – não gosto particularmente da palavra «poder» por causa de como ela pode ser interpretada – que nos ajuda a viver cada dia de forma diferente: a viver com profundidade, não superficialmente; a dar sentido à vida; a nos permitir crescer no amor e em tudo o que ele implica…

Ser filhos e filhas de Deus nos faz pensar no Pai: no que Ele nos ensina, no amor recíproco que experimentamos graças a Ele, em Sua misericórdia.

Reconheço que repito certas coisas, e isso porque elas são fundamentais, pelo menos para mim.

É por isso que quero recebê-Lo em minha casa todos os dias. Quero conhecê-Lo e reconhecê-Lo. Quero viver, com a Sua graça, o compromisso de ser filha de Deus, Sua filha.

oraçao, Reflexão

DEUS CONOSCO

Durante o Advento, a leitura do Evangelho é frequentemente repetida. Se pararmos para pensar, temos lido esta passagem há poucos dias.

Creio que esta repetição é importante e, para mim, neste momento, trata-se da frase: «Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho,e lhe darão o nome de Emanuel,que quer dizer: Deus conosco» (Mt 1, 23).

Em outras palavras, com esse nome, Deus insiste que Ele está conosco; Ele não nos abandona. O problema é que queremos vê-Lo em Algo ou Alguém sobrenatural, «onipotente», e não sei se se pode sequer dizer: em algo «óbvio», algo que torne a Sua presença evidente. No entanto, Ele se aproxima de nós em uma criança recém-nascida, indefesa, dependente; em alguém tão «comum» que é difícil reconhecê-Lo.

Às vezes, não só durante este período litúrgico, me pergunto onde, quando e como Ele se fez presente para mim em um determinado dia ou evento, pois Ele continua a fazendo parte da minha história, da nossa história.

Obrigada, Senhor, por se aproximar de nós… por estar conosco.

Reflexão

CONVERSÃO

Nesta época preparatória do Advento, mas tendo com o Natal ainda a algumas semanas de distância, esta passagem do Evangelho leva-me pessoalmente à conversão, embora, à primeira vista, pareça mais adequada à Quaresma.

Este tema suscita as seguintes questões: como posso vivenciar a conversão? Em que quero me transformar?

Reconheço que posso expressar tendências que, por vezes, surgem quase automaticamente, mesmo tendo consciência de que não são apropriadas. Este desejo de mudança, à primeira vista, não é mau, mas depois percebo algo: mesmo reconhecendo os meus erros, aceito-os? Ou, com outras palavras: aceito a minha fragilidade humana? Não é que eu não queira vivenciar um momento de conversão por essa razão, mas sim que existem diferentes formas de fazê-lo.

Creio que o primeiro passo é aceitar as minhas falhas específicas e até habituais, porque posso cair na armadilha de querer «converter-me» depois de as ter rejeitado que me fazem sentir um fracasso. Por outro lado, o correto seria não me sentir assim a cada queda, pois sou «humana», ou seja, não sou perfeita, nem jamais serei. O propósito da conversão não pode e não deve ser a perfeição, mas sim o desejo de trilhar o caminho que o Senhor me apresenta, sempre com humildade.

Este caminho é uma forma de suavizar a passagem e me abrir ao Espírito Santo que habita em mim, me chama e me impulsiona a caminhar na misericórdia de Deus.

Obrigada, Senhor, pela presença do teu Espírito Santo que arde em mim e me impulsiona a esta conversão humana, alimentada pela tua misericórdia.