Reflexão

COMO É BOM ESTARMOS AQUI!

Hoje começo com a frase: «Senhor, é bom ficarmos aqui. Se queres, vou fazer aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias» (Mt 17,4).

Quem não gostaria de estar nesses momentos de encontro com Jesus? Esses momentos de paz que não conseguimos descrever com palavras e, como Pedro, surge o desejo de construir «três tendas» – apesar de não saber o que estava dizendo – para poder passar mais tempo com Ele.

Mas não podemos esquecer que esses verdadeiros encontros com Ele nos fazem «descer da montanha» e retornar à realidade, que às vezes é cercada por pobreza, violência e guerras sem sentido.

Atualmente, em muitos lugares, aqueles de nós que temos fé, que somos cristãos, somos considerados «loucos». Como podemos crer diante dessa realidade? Isso torna ainda mais difícil para nós expressarmos a verdade viva que reafirma a nossa fé. Há momentos em que não é apropriado compartilhar em palavras o que vivenciamos — «não conte a ninguém essa visão…» — mas podemos compartilhar através de nossas vidas, através do nosso testemunho.

Senhor, obrigada por esses encontros contigo, que me inspiram a continuar compartilhando a tua paz e o teu amor com aqueles que me rodeiam.

Reflexão

ELE SENTIU FOME


Jesus: «Depois disso, sentiu fome.»

Essa breve frase me faz pensar em duas coisas.

Primeiro, interpreto essa fome não apenas em termos de comida. As tentações mencionadas não se referem apenas a satisfazer o estômago; elas também falam de poder. Nós podemos cair na «tentação» – como seres humanos – de negar que sucumbimos a esse desejo, porque é impossível para nós, porque nunca alcançaremos posições de destaque no trabalho ou em onde nós moramos. Mas que tipo de «poder» é alcançável para nós, para mim? Será que o usamos de forma apropriada?

Ao mesmo tempo, a humanidade de Jesus se revela nessa fome; ele sentiu o que todos nós sentimos. E isso me faz sentir compreendido. Ele sabe que não somos perfeitos e nos encoraja a levantar sempre que tropeçamos e caímos, porque ele nos compreende.

Senhor, ajuda-nos a reconhecer nossa fragilidade humana, não a vivê-la como um fardo, mas com humildade e acolhida da tua compreensão e misericórdia.

oraçao, Reflexão

FELIZES

Felizes são os humildes, porque são «grandes de coração».
Felizes os que têm serenidade com as pessoas, a capacidade de ouvir, como o Senhor faz.
Felizes são aqueles que têm sentimentos por eles mesmos e pelos outros, porque uma vida sem sentimentos é uma vida fria e sem sentido.
Felizes aqueles que lutam pela justiça, com os meios que têm à sua disposição, apesar de serem poucos.
Felizes os misericordiosos, aqueles que perdoam, porque sabem reconhecer mais facilmente a misericórdia que o Senhor tem com toda gente.
Felizes são aqueles tudo o que fazem, o fazem do coração, com sinceridade, com empatia.
Felizes são aqueles que fazem todo o possível para criar um mundo de paz, que não é apenas a ausência de guerra.
Felizes são aqueles que têm que sofrer dificuldades e, às vezes, até perigos, por serem fiéis ao amor de Deus, porque o Espírito que está sempre com eles lhes dará força, esperança e alegria suficientes para superar seus sofrimentos.

Reflexão

DESPRENDER-SE

«Deixaram as redes… Deixaram a barca!»

Uau! Simão, André, Tiago, João… foram chamados por Jesus, mas para segui-lo, tiveram que deixar algo para trás, tiveram que se desprender de algo. E não qualquer coisa, mas o que usavam todos os dias no seu trabalho matinal; ou seja, esse desapego significou uma mudança total nas suas vidas.

Ao mesmo tempo, acho que em diferentes momentos de suas vidas, eles tiveram que se desprender de outras coisas e/ou pessoas importantes; experimentaram mudanças na maneira como viviam seu discipulado de Jesus, fazendo-o em outro lugar, com outras pessoas, em outras situações, o que também foi outra forma de desapego. Esse «desapego» não precisa ser apenas de coisas físicas, porque as redes e o barco também abrangem todo o seu contexto: as pessoas com quem trabalhavam, a rotina diária bem aprendida.

Isso me lembra das mudanças em projetos e lugares em que estive que me fizeram abrir mão fisicamente de colegas, amigos e do contexto da missão. Para conseguir realizar isso, considerando as diferentes realidades do momento, as pessoas com quem estou, a paróquia, a congregação e até mesmo a minha própria.

Tu tens deixado algo para seguir Jesus? Tens tido mudanças em seus compromissos que fizeram te desapegar de algo ou alguém? Do que tens que te desapegar para poder responder hoje ao chamado de Jesus?

Reflexão

FILHOS E FILHAS DE DEUS

Começo com algumas perguntas que me vêm à mente ao ler o prólogo do Evangelho de João: Como expressar o inexpressável? Como apresentar a existência do Criador e Sua Encarnação? Ao mesmo tempo, como expressar nessas poucas frases as diversas reações das pessoas: crer nele ou não?

O que fica claro é que somos livres para crer nEle ou não, sem esquecer que aqueles que têm a graça da fé possuem uma força – não gosto particularmente da palavra «poder» por causa de como ela pode ser interpretada – que nos ajuda a viver cada dia de forma diferente: a viver com profundidade, não superficialmente; a dar sentido à vida; a nos permitir crescer no amor e em tudo o que ele implica…

Ser filhos e filhas de Deus nos faz pensar no Pai: no que Ele nos ensina, no amor recíproco que experimentamos graças a Ele, em Sua misericórdia.

Reconheço que repito certas coisas, e isso porque elas são fundamentais, pelo menos para mim.

É por isso que quero recebê-Lo em minha casa todos os dias. Quero conhecê-Lo e reconhecê-Lo. Quero viver, com a Sua graça, o compromisso de ser filha de Deus, Sua filha.

Reflexão

ANO NOVO, VIDA NOVA

Às vezes ouço a frase «Ano Novo, Vida Nova», mas nem sempre concordo com ela.

Parece comum que, no último dia do ano, nos segundos finais, queiramos fazer um balanço e realizar desejos e planos para o ano que se inicia. Não tenho opinião sobre o que vivemos, mas em relação ao futuro… podemos cair na armadilha de fazer planos tão distantes da realidade que perdemos a esperança nos primeiros dias do ano novo.

Ao mesmo tempo, isso nos dá a impressão de que algo completamente diferente do que vivemos antes pode começar. Mas precisamos reconhecer que isso é impossível, pois a história e a experiência nos moldam. De uma forma ou de outra, elas nos fazem refletir e nos motivam a escolher um caminho em vez de outro.

Só consigo interpretar essa nova vida como coincidindo com datas de «mudanças nos planos de vida», como terminar os estudos, casar, assumir compromissos com escolhas de vida… Mas não precisa ser apenas nessa data específica, porque até mesmo algumas coisas, como terminar os estudos, são mais comumente concluídas no meio do ano no Hemisfério Norte.

De qualquer forma, reconheço que este ano essa frase ressoa em mim, já que, apesar de não mudar minha escolha de vida — continuo sendo uma Irmã Filha da Cruz — estou mudando a maneira como a vivo, mudando não só minha comunidade, mas também meu país.

Não estou indo para um lugar desconhecido, mas retornando ao meu, à Espanha, e até mesmo a uma comunidade onde já estive. Mas, apesar de tudo, um amigo jesuíta tem razão: «Mesmo que você retorne a um lugar onde já esteve, certamente será uma nova experiência, porque você não é a mesma pessoa depois desses anos de missão na Argentina».

Então, quero terminar desejando a vocês um Ano Novo e uma Vida, que não sei se precisa ser totalmente nova, mas certamente com una opção alcançável, reconhecendo que, a longo prazo, nossa experiência va sendo nova, porque nós vamos mudando.

Feliz Ano Novo de 2026!