Mensagem do Papa

A CIVILIZAÇÃO DO AMOR

Caríssimos, peçamos a graça de uma Quaresma que torne os nossos ouvidos mais atentos a Deus e aos últimos. Peçamos a força dum jejum que também passe pela língua, para que diminuam as palavras ofensivas e aumente o espaço dado à voz do outro. E comprometamo-nos a fazer das nossas comunidades lugares onde o clamor de quem sofre seja acolhido e a escuta abra caminhos de libertação, tornando-nos mais disponíveis e diligentes no contributo para construir a civilização do amor.
(Papa Leão XIV, Quaresma de 2026)

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PALAVRAS DE ESPERANÇA E PAZ

…Gostaria de vos convidar a uma forma de abstinência muito concreta e frequentemente pouco apreciada, ou seja, a abstinência de palavras que atingem e ferem o nosso próximo. Comecemos por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender, às calúnias. Em vez disso, esforcemo-nos por aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza: na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social, nas comunidades cristãs. Assim, muitas palavras de ódio darão lugar a palavras de esperança e paz…

(Papa Leão XIV; Mensagem da Quaresma 2026)

Reflexão

«EU CREIO, SENHOR»

O Evangelho do cego de nascença me ajuda a compreender as diferentes etapas de crescimento da fé de uma pessoa.

Sinto uma forte conexão com o momento em que Jesus coloca lama nos olhos do homem e lhe diz: «Vai lavar-te no tanque de Siloé» (que significa Enviado). Não me lembro de ter ouvido essas palavras exatas, mas me lembro do processo. Do fato de ele ter cruzado meu caminho — sem que eu o procurasse — e não ter me dado tudo de bandeja. Minha cura, minha integração na sociedade, dependem das pessoas ao meu redor e de eu também fazer algo para alcançá-la, de eu também tomar uma atitude.

Com o passar do tempo, as pessoas -e eu mesma- começamos a questionar quem Jesus realmente era. Ao longo do tempo, essa resposta teórica evoluiu para uma experiência consciente de fé crescente, paz, alegria e esperança… até que o encontro chegou, a experiência que chama, que impulsiona, que me leva a adorá-Lo e reconhecê-Lo apesar das palavras que outros possam dizer, neste ambiente onde a fé é quase vivida em segredo.

Por isso, há algum tempo, respondi — e respondo todos os dias — «Eu creio, Senhor».

Obrigada, Senhor: pelos encontros contigo; pela fé que confirma a tua presença, mesmo quando nem sempre a sinto; pela confiança que depositas em mim todos os dias; por seres o meu guia a cada dia…

Reflexão

ELE SENTIU FOME


Jesus: «Depois disso, sentiu fome.»

Essa breve frase me faz pensar em duas coisas.

Primeiro, interpreto essa fome não apenas em termos de comida. As tentações mencionadas não se referem apenas a satisfazer o estômago; elas também falam de poder. Nós podemos cair na «tentação» – como seres humanos – de negar que sucumbimos a esse desejo, porque é impossível para nós, porque nunca alcançaremos posições de destaque no trabalho ou em onde nós moramos. Mas que tipo de «poder» é alcançável para nós, para mim? Será que o usamos de forma apropriada?

Ao mesmo tempo, a humanidade de Jesus se revela nessa fome; ele sentiu o que todos nós sentimos. E isso me faz sentir compreendido. Ele sabe que não somos perfeitos e nos encoraja a levantar sempre que tropeçamos e caímos, porque ele nos compreende.

Senhor, ajuda-nos a reconhecer nossa fragilidade humana, não a vivê-la como um fardo, mas com humildade e acolhida da tua compreensão e misericórdia.