Reflexão

GARANTIA OU AMOR

Posso cair na tentação de acreditar que as pessoas nascidas em uma família cristã ou batizadas já temos feito tudo, «temos ganhado o céu». E, além disso, só pensar no momento após a morte.

Não quero me envolver com a «garantia» desse futuro, mas sim com a forma como vivo o presente. A motivação para a liturgia e os compromissos, é apenas pensar nessa parte após a morte? Ou quero viver a fé em Deus Amor que me alimenta cada dia e me convida a diferentes compromissos para espalhar o amor que recebi?

Se a motivação for essa «garantia», minha fé não é verdadeira e é alimentada pelo medo e pela incerteza. Por outro lado, se for esse Amor de Deus que recebi, que compartilho com Ele, não sinto mais essa preocupação sobre se serei salva. Reconheço também que chegaremos ao banquete do seu Reino do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul, porque o seu amor não conhece limites.

Obrigada, Senhor, por me ensinar a entrar pela porta estreita, vivendo desde dentro a fé que me deste, sem medo, com amor.

Frase para orar, Reflexão

O VERDADEIRO MILAGRE

No texto evangélico do homem rico e Lázaro, desta vez não me concentrei nas diferenças sociais que vemos com tanta frequência em nossa realidade, mas sim na última frase em que Abraão respondeu: «Se não escutam a Moisés nem aos Profetas, eles não acreditarão, ainda que alguém ressuscite dos mortos.»

Então me surgiu a pergunta: qual é o sentido de tanto esforço em transmitir a fé, por meio do catecismo, do trabalho missionário nas ruas, do que é compartilhado pela mídia, se ninguém vai convencê-los?

Sim. Não podemos negar que há pessoas que, por mais que você transmita o Evangelho na linguagem mais adequada para que elas entendam, não se convencerão. Mas, ao mesmo tempo, não acho que seja tempo perdido.

Outra coisa é se sentimos isso, porque não vemos o resultado. Queremos que a Igreja se encha «agora» com as pessoas que catequizamos. E isso não é visível agora. Elas podem ter retido algo, mas não vemos o seu fruto agora. Sentimo-nos fracassados!

O que é verdade — ou pelo menos eu acredito — é que a verdadeira fé se transmite através da rotina da vida, através do testemunho de cada dia, não através de milagres. E isso não é um fracasso! A fé autêntica é vivida em cada momento, em cada segundo, a partir de dentro, da espontaneidade. Não há expectativa de frutos imediatos. Eu simplesmente sou.

E eu sou do Evangelho do Amor que tenho dentro de mim e que me impele a vivê-lo. O verdadeiro milagre hoje é viver com o amor e tudo o que dele deriva, num mundo onde se respira o medo, a desconfiança, a violência…!

Frase para orar

Obrigada, Senhor, pela tua misericórdia

Senhor, eu sei que Tu és amor
e isso te leva à misericórdia.
Eu aprecio isso!

Sei que me amas. O sinto!
Me amas como eu sou,
com meus dons e defeitos,
com minhas habilidades e fragilidades.

Às vezes sou eu quem não me aceito,
e Tu, em a oração, com a tua Palavra,
me alivias e aligeiras meu peso.
Sentir tua misericórdia e perdão,
ser ciente disso,
me ajuda a me perdoar.

Que eu não esqueça o teu Espírito Santo,
que recebi quando fui batizada,
e sempre me acompanha.
Ser consciente de tua presença
me ajuda a viver com outra atitude
os momentos de dificuldade,
e reagir mais vezes -não sempre-
da maneira mais adequada.

O que está sempre lá
é a tua misericórdia, o teu perdão.
E o fato de tê-lo sentido
me ensina e me leva a
ter misericórdia comigo mesmo
e com as pessoas ao meu redor.

O que mais posso te contar…
Obrigada… obrigada, Senhor!

Reflexão

O maior mandamento da Lei

Hoje há uma cadeia de perguntas e um dos fariseus – não sei se com boas ou ruins intenções – pergunta a Jesus qual é o maior mandamento da Lei. A isto Jesus responde. «Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento» (Mt 22,37).

Então me pergunto: como amo o Senhor? Em parte faço isso amando a sua criação, que é o seu reflexo, e nessa criação está o meu próximo, estão as pessoas de outros países e aquelas que tenho ao meu lado, que quando ouço o seu nome as identifico, coloco o rosto deles.

O amor a Deus e o amor ao próximo estão juntos. Como diz Jesus, o segundo mandamento é «semelhante» o primeiro: «Amarás ao teu próximo como a ti mesmo» (Mt 22,39). Isso me leva a questionar como amo meu próximo.

Nesse momento me vem uma lembrança de que antes estávamos fechados no amor ao próximo, esquecendo de nós mesmos. Agora percebemos que o melhor é o equilíbrio: o amor pelos outros e também por mim mesmo, «me preocupar» de mim também. E a forma de não cair no egocentrismo é tratar os outros como gostaria de ser tratado eu; é essa empatia. É esse amor pelo próximo e por mim mesmo que é inseparável um do outro. E no meio desse amor autêntico está o amor consciente ou inconsciente de Deus.

Obrigada, Senhor, por nos ensinar a amar e a fazer uma vida plena com amor.

Reflexão

Onde encontramos o Filho encarnado hoje?

Há alguns dias li um pequeno artigo da Espiritualidade Inaciana, que terminava com algumas perguntas: Como esta ação da Trindade e a atitude de Maria iluminam a nossa fé? Onde encontramos o Filho encarnado hoje? Que colaboração a Trindade me pede para construir um mundo mais humano?

Hoje, muito perto da data do Natal que celebraremos dentro de algumas horas, voltei a interrogá-los.

Na verdade, a primeira resposta que me veio -quase automaticamente- foi: no Merendero Dom Oscar Romero e no Lar Sagrado Coração de Jesus ao referir-se ao local onde hoje encontramos o Filho encarnado.

Jesus nasceu na pobreza e as primeiras pessoas que vieram vê-lo foram os rejeitados. Nestes dois lugares dirigidos pelo Irmão Marcelo e apoiados por muitas pessoas, encontram-se homens rejeitados e muito pobres, e crianças e adolescentes com uma diversidade de pobreza, não só material.

Sim. É lá que eu o vejo nascer, nos dando toda a sua confiança, para que possamos cuidar dele e também alimentá-lo com carinho; para que olhemos para ele, falemos com ele, ouçamos…; estar calmo e poder se encontrar com outras pessoas; sentir e compartilhar amor verdadeiro, amor compassivo.

Maria, desde a humildade e a fé, desde a sua pequenez, tem a certeza de que o Senhor a ajudará a realizar o que lhe foi confiado. Ela não está sozinha, mas está com José e tenho a certeza que em vários momentos da sua vida, nas suas diversas necessidades, teve pessoas anónimas que a ajudaram, como a humilde família que não conhecemos, mas que lhe deixou o que pouco tinham, o cepo e nele a manjedoura.

O Deus Trino, que nunca nos deixa sozinhos, que é Deus Comunidade, confiou em Maria e agora confia no Irmão Marcelo e em tantas outras pessoas – entre as quais me sinto parte – para construir um mundo mais humano, onde a Boa Nova do Amor tornam-se visível; para torná-lo tangível, como Jesus fez.

Que com o meu pequeno serviço e com o meu ser, além do de tantas outras pessoas, eu possa ver e ajudar a ver de novo, nascer -e renascer- o Amor de Deus em nossos presépios, em nossa pequenez… no menino Jesus que reconhecemos e levamos dentro de nós.

Frase para orar

Salmo 71 atualizado

Senhor,
as falhas, as tendências de nossos pais… as nossas
em momentos que queremos lembrá-los,
nos pesam e tornam difícil para nós ver tua compaixão,
pois estamos exaustos.
Na verdade, somos nós mesmos
aqueles que não aceitamos ou perdoam,
aqueles que não queremos olharmos no espelho
e vermos com clareza nosso rosto, nosso ser.

Ajuda-nos, Deus nosso Salvador,
livra-nos desta cegueira -às vezes pesada-
e com tua graça, ajuda-nos a ser sinceros
conosco e com os outros;
ajuda-nos a nos abrir por dentro
e assim sentir a tua misericórdia.

Portanto, nós, teu povo, ovelhas do teu rebanho,
vamos sempre te agradecer
cantaremos os teus louvores de geração em geração,
com alegria… desde dentro,
lembrando cada dia
o amor, o perdão, a ressurreição…

Frase para orar, Reflexão

O dono da pensão

Quando lemos o texto conhecido como «o bom samaritano» (Lc 10, 25-37), olhamos três personagens da parábola: o sacerdote, o levita e o samaritano. E mesmo Jesus se refere apenas a eles quando faz a pergunta: «Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?»

Mas por que não levar em conta também o dono da pensão? Quantas vezes para ajudar alguém, precisamos da ajuda de outra pessoa?

Haverá quem diga que o faz por dinheiro, pelos denários que o samaritano lhe deu. E eu me pergunto: cuidar de uma pessoa ferida faz parte do trabalho de um dono da pensão? Em que ele precisou de ajuda? Eu não acho que estava apenas trazendo comida para ele, nem acho que depois de um dia ele não dependa da ajuda de outra pessoa, porque o deixaram meio morto.

Trazendo mais para a vida atual, as pessoas que ajudam quase secretamente ou recebem o mínimo de dinheiro, só o que é necessário para viver vem à mente: aqueles que caridosamente começam a limpar a paróquia nos momentos em que ninguém está lá -sem conhecer muitos paroquianos quem são-, colocam todo o seu esforço na decoração, compartilham sua habilidade, sua «mão de trabalho»…; aqueles que em seu trabalho fazem outras coisas que não são de sua responsabilidade, mas o fazem para ajudar os outros…; ou como acontece na Cáritas que roupas e alimentos são doados – na maioria das vezes – por pessoas anônimas.

Certamente há muitas mais situações que cada um de nós pode especificar em nossas vidas e que em todas elas, por mais diferentes que sejam, há uma coisa que as une: o amor.

O amor não é «mostrado», mas instintivamente -sem pensar- é testemunhado. O amor leva ao afeto, afeição, compaixão. O amor se move para dar o que pode, não te deixa parado. E o amor não tem preço!

Ao mesmo tempo, me vem uma pergunta: fui e sou às vezes como o dono da pensão? E tu?

Frase para orar, Reflexão

Servir

SERVIR… Com esta palavra permaneço, pois: «Pelo contrário, o maior dentre vós deve ser aquele que vos serve» (Mt 23, 11).

Mas não servir de qualquer jeito, por qualquer motivação, porque posso cair como os «escribas», os «fariseus» e como muitas outras pessoas que não vivem esse serviço com verdadeira sinceridade, querendo ajudar, dignificar a pessoa. Posso fazer esta entrega – embora não deva chamá-la assim – por orgulho, por querer ser a primeira; posso fazê-lo sem ter uma verdadeira motivação de serviço com humildade, com amor.

Acredito também que sempre temos momentos para servir e de formas muito diferentes: ora pontuais e ora regulares (semanal, mensal…); atendendo diretamente a pessoa ou através de Cáritas, CEBs (Comunidades Eclesiais de Base)… ou outro grupo ou organização que vive para atender pessoas carentes.

Existem necessidades muito diferentes que exigem esforço físico, de escuta, psicológico… ou de tudo.

Esta é a chave para seguir Jesus, para tornar viva a sua Palavra: servir por amor, ser um verdadeiro servo.

Obrigada, Senhor, por nos ensinar qual é teu verdadeiro ensinamento, teu verdadeiro serviço. Obrigada por nos ensinar com palavras e ações.