Ao despertar, José fez conforme o anjo do Senhor lhe havia ordenado e recebeu sua esposa.
(Mt 1, 24)

Ao despertar, José fez conforme o anjo do Senhor lhe havia ordenado e recebeu sua esposa.
(Mt 1, 24)

«Entre vocês não deverá ser assim: quem de vocês quiser ser grande, deverá tornar-se o servidor de vocês, e quem de vocês quiser ser o primeiro, deverá tornar-se o servo de todos. Porque o Filho do Homem não veio para ser servido. Ele veio para servir e para dar a sua vida como rescate en favor de muitos».
(Mc 10, 43-45)

“Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos” (Mc 9, 35)… E Jesus fez o que disse.
Seu “poder”, sua “autoridade” era o serviço. Um serviço de forma especial – mas não único – aos “intocáveis”, aos “impuros”, aos “humilhados”. Um serviço que muitas vezes não é visto; aparentemente não é valorizado de fora.
Jesus, com suas diferentes formas de servir, se abaixou para dar dignidade às pessoas, como reflexo do seu amor. E a melhor forma de fazer isso é “de baixo”, para poder ver essa realidade, ter mais consciência dela e assim servir em meio às possibilidades.
Obrigado, Senhor, pela tua autoridade que é serviço. Ajuda-me a não esquecer de te seguir desde o serviço, como tu mesmo fizeste.

Há alguns dias li um pequeno artigo da Espiritualidade Inaciana, que terminava com algumas perguntas: Como esta ação da Trindade e a atitude de Maria iluminam a nossa fé? Onde encontramos o Filho encarnado hoje? Que colaboração a Trindade me pede para construir um mundo mais humano?
Hoje, muito perto da data do Natal que celebraremos dentro de algumas horas, voltei a interrogá-los.
Na verdade, a primeira resposta que me veio -quase automaticamente- foi: no Merendero Dom Oscar Romero e no Lar Sagrado Coração de Jesus ao referir-se ao local onde hoje encontramos o Filho encarnado.

Jesus nasceu na pobreza e as primeiras pessoas que vieram vê-lo foram os rejeitados. Nestes dois lugares dirigidos pelo Irmão Marcelo e apoiados por muitas pessoas, encontram-se homens rejeitados e muito pobres, e crianças e adolescentes com uma diversidade de pobreza, não só material.
Sim. É lá que eu o vejo nascer, nos dando toda a sua confiança, para que possamos cuidar dele e também alimentá-lo com carinho; para que olhemos para ele, falemos com ele, ouçamos…; estar calmo e poder se encontrar com outras pessoas; sentir e compartilhar amor verdadeiro, amor compassivo.
Maria, desde a humildade e a fé, desde a sua pequenez, tem a certeza de que o Senhor a ajudará a realizar o que lhe foi confiado. Ela não está sozinha, mas está com José e tenho a certeza que em vários momentos da sua vida, nas suas diversas necessidades, teve pessoas anónimas que a ajudaram, como a humilde família que não conhecemos, mas que lhe deixou o que pouco tinham, o cepo e nele a manjedoura.
O Deus Trino, que nunca nos deixa sozinhos, que é Deus Comunidade, confiou em Maria e agora confia no Irmão Marcelo e em tantas outras pessoas – entre as quais me sinto parte – para construir um mundo mais humano, onde a Boa Nova do Amor tornam-se visível; para torná-lo tangível, como Jesus fez.
Que com o meu pequeno serviço e com o meu ser, além do de tantas outras pessoas, eu possa ver e ajudar a ver de novo, nascer -e renascer- o Amor de Deus em nossos presépios, em nossa pequenez… no menino Jesus que reconhecemos e levamos dentro de nós.
Perante o pedido dos apóstolos – dito no imperativo – «Aumenta a nossa fé» (Lc 17,5), a resposta de Jesus chama-me a atenção.
Ele vai da «obediência do milagre», de algo extraordinário que afeta algo externo e acontece pela fé, à atitude de como viver a vida graças à fé. Ajuda ver «pequenos milagres», onde para outras pessoas são apenas coincidências. Dê momentos de paz em meio à dor; esperança, no sofrimento; a graça de fazer do cotidiano algo extraordinário; encorajamento e sentido para a vida.

A verdadeira fé leva ao serviço do verdadeiro amor, o de dar-se sem esperar nada em troca. Isso nos faz viver como «servos inúteis», como servos que fazemos o que achamos que devemos fazer, mas um dever que vem de dentro, da nossa fé, do nosso chamado como povo cristão, de orar com a Palavra e ver a realidade pela que Deus também fala e compromete.
Não é algo que se impõe ou se compra, mas é uma graça, que não sei se temos plena consciência disso.
Obrigada Senhor, pela fé que dás, a fé que guia e dá sentido a cada dia. Às vezes eu te pediria, como os apóstolos, que aumentasses minha fé, mas sei que nos piores momentos da minha vida estiveste presente de diferentes maneiras. O reconheço! Então, o que mais pedir? Ajude-me a alimentar e manter a fé.
Hoje começo com o final do Evangelho do dia: «Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada» (Lc 10, 41-42).
Jesus diz que apenas uma coisa é necessária e que Maria tomou a melhor parte, não a coisa necessária em sua totalidade, mas a melhor parte -uma parte- dessa coisa.
Assim, volto ao início, onde diz que Maria «sentou-se aos pés do Senhor, e escutava a sua palavra». Ou seja, ouvir a sua palavra com aquela atitude de lhe dar total atenção, querer que todos os sentidos se aproximem dela, essa é a melhor parte, mas não a única. Porque essa palavra, se for verdadeiramente escutada, move-se para dentro e leva a servir, a fazer serviço motivado como resultado do encontro, e assim não acabar como Marta, que se sente sozinha e pede ajuda.
A ausência da Palavra pode fazer compromissos não de serviço, mas de atividade sem motivação profunda, que às vezes termina em ativismo, acabando nos levando a um cansaço sem sentido.
Em meio a esse cansaço, noto sua maneira de pedir ajuda: «Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha, com todo o serviço? Manda que ela me venha ajudar!» Na verdade, essa forma de pedir ajuda quase os obriga a ajudá-lo. Então, quem ouviria atentamente a Jesus se sua irmã Maria está focada em ajudá-la?

E também me pergunto: diante de uma necessidade que temos, Jesus vai se sentir indiferente, não vai se importar com alguma coisa que não estejamos bem? Ou será que nos concentramos em algumas coisas de tal forma que nos esquecemos de rezar, de nos encontrar, de ouvir a palavra que nos ajuda a vivê-la com mais serenidade, com mais calma, com a motivação necessária?
Senhor, desejo estar como Maria, sentada aos teus pés ouvindo a tua palavra, para depois servir com paz, alegria, serenidade, coragem, esperança…

Hoje, Quinta-feira Santa, celebramos o dia da Ceia do Senhor, o dia da Eucaristia… como nos recorda São Paulo na sua carta aos Coríntios (1 Cor 11, 23-26). E por outro lado, o Evangelho não diz nada sobre Pão ou Vinho, embora… seja o outro lado da mesma moeda.
Jesus diz: «Compreendeis o que acabo de fazer? Vós me chamais «Mestre« e «Senhor«, e dizeis bem, pois eu o sou. Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz» (Jo 13,12-15).
Quem recebe a comunhão compromete-se a seguir Jesus e Ele, neste gesto de lavar os pés dos seus discípulos, reflete-nos a sua vida de serviço. A verdadeira Eucaristia, o verdadeiro ato de participação na comunhão, deve refletir-se no serviço mútuo, não só aos outros.

Servir aos outros e não deixar que me sirvam, não reconhecer que também tenho necessidades, não viver o amor verdadeiro que é mútuo, acaba sendo um serviço do egoísmo, do me sentir mais. Em vez disso, Jesus sendo o Mestre, servido com humildade e amor verdadeiro, amor sem limites.
Senhor, obrigada por estar presente a nós com a Eucaristia e por nos lembrar do compromisso que isso implica, por nos lembrar do verdadeiro serviço recíproco, serviço por amor, serviço com humildade.
SERVIR… Com esta palavra permaneço, pois: «Pelo contrário, o maior dentre vós deve ser aquele que vos serve» (Mt 23, 11).
Mas não servir de qualquer jeito, por qualquer motivação, porque posso cair como os «escribas», os «fariseus» e como muitas outras pessoas que não vivem esse serviço com verdadeira sinceridade, querendo ajudar, dignificar a pessoa. Posso fazer esta entrega – embora não deva chamá-la assim – por orgulho, por querer ser a primeira; posso fazê-lo sem ter uma verdadeira motivação de serviço com humildade, com amor.

Acredito também que sempre temos momentos para servir e de formas muito diferentes: ora pontuais e ora regulares (semanal, mensal…); atendendo diretamente a pessoa ou através de Cáritas, CEBs (Comunidades Eclesiais de Base)… ou outro grupo ou organização que vive para atender pessoas carentes.
Existem necessidades muito diferentes que exigem esforço físico, de escuta, psicológico… ou de tudo.
Esta é a chave para seguir Jesus, para tornar viva a sua Palavra: servir por amor, ser um verdadeiro servo.
Obrigada, Senhor, por nos ensinar qual é teu verdadeiro ensinamento, teu verdadeiro serviço. Obrigada por nos ensinar com palavras e ações.
Espaço da comunidade FEBIC da América Latina e do Caribe